quinta-feira, dezembro 30, 2010

A última parcela.

Véspera de réveillon de 2010, o litoral paulista estava abarrotado de gente quanto os grãos de areia da praia. Mas para Nelson era a melhor data de lucrar em sua barraca de bijuterias no centro da cidade, precisamente na região da república; é o momento de fazer o pé de meia, de colher o melhor de seu fruto como camelo, para tal tarefa contava sempre com o filho Milton. O brilho do sol na pele das moças paulistas, o quebrar suave das ondas nos pés, a efervescência da Champagne borbulhando suavemente no céu da boca; estes eram os anseios do jovem Milton, que mesmo depois de muito relutar, seguiu sua sentença de acompanhar o pai no labutar pela sobrevivência de ser mais um a margem de uma das maiores metrópoles do mundo, São Paulo. Duas longas horas e nenhum cliente, nenhum movimento de ser vivente. Apenas os bares preparando-se para a chegada dos foliões: - Filho, chamou a atenção o pai, quer aprender o segredo da felicidade? Milton relutou em encarar o olhar do pai. Já tinha sua convicção de felicidade, que seria passar as últimas horas do velho ano e o início do infante 2011há beira mar, cercado de mulatas e amigos como planejou. Encarou a Nelson com olhos questionadores: - Sim, véio! O pai Nelson entregou ao filho uma colher e um ovo, e lhe pediu que andasse pelo centro de São Paulo. Caminhasse pelas avenidas onde muitos homens entregaram suas vidas para que fossem feitas, os prédios construídos pelos sonhos dos fundadores da cidade, os monumentos que representavam parte da história que agora era dele, que colhesse em seu olhar cada detalhe das abobadas dos prédios mais antigos, que seus olhos lacrimejassem ao reluzir do brilho de um prédio espelhado moderno: - Porem, não deixe o ovo cair e nem o segurasse com as mãos! O rapaz começou seu percurso, passeou pelo teatro municipal, subiu e desceu as calçadas, mantendo sempre os olhos fixos na colher. Ao final de duas horas, retornou à presença do pai. – Então – perguntou depois de atender uma freguesa Hip – você viu as maravilhas construídas pelo sonho e suor daqueles que transformaram esta cidade em uma megalópole? O rapaz, envergonhado, confessou que não havia visto nada, que sua única preocupação era não deixar o ovo cair: – Pois então volte e refaça o percurso – ordenou Nelson após uma pausa. – Você não poderá sonhar um futuro próspero e conhecer a felicidade se não souber o que já foi construindo em um tempo onde não se havia recurso para tal, não se preocupe nem com a colher ou o ovo, preocupe-se em conhecer a sua cidade. Mais tranquilo Milton pegou a colher, e voltou a passear pela cidade de São Paulo, desta vez reparando em todas as obras de arte esculpidas em forma de prédios, de praças, de monumentos que adornavam a cidade, entre as modernas arquiteturas dos jovens prédios de 10 anos e os barroquismos de quase 100. Muitas das vezes escondidas atrás de longas árvores resistentes ao progresso do homem, como testemunhas vivas de que ali um dia fora apenas mata nativa. Há poucos minutos para à hora da virada do ano retornou o filho, cheirava a ovo e os olhos estavam vermelhos por ter chorado. A rua já estava abarrotada de foliões da virada. Mendigos e pessoas da sociedade misturavam-se como uma grande massa de pão, sovada pelo tempo. Os fogos explodiram no alto dos arranha céus. Nelson abraçou o filho, e lhe disse olhando no fundo de seu olhar castanho amêndoas: – O segredo da felicidade, filho, está em olhar todas às maravilhas do mundo, e nunca se esquecer do ovo na colher. As maravilhas são muitas, mas o futuro se faz com trabalho e esforço até mesmo quando não queremos. As três da madrugada quando o metrô voltou a funcionar partiram para casa, e o pai com um sorriso infantil de felicidade segredou ao sonolento filho: - Agora a gente já tem a última parcela da nossa casa. Feliz 2011 á todos!

sexta-feira, dezembro 24, 2010

A caixa de música

È véspera de Natal de 2010, o senhor Joaquim faxineiro da estação de trem Santo Amaro da movimentada cidade paulista, capital econômica do Brasil – São Paulo se preparava para o seu repetitivo e corriqueiro trabalho, varrer a estação e recolher o lixo abandonado pelos transeuntes da estação, quando ouviu um som inspirador. Estamos no começo do verão brasileiro, como sempre chuvoso e abafado, o ar seco do inverno fazia tempo que não estava no ar, e os sons da cidade que são mutáveis acompanham as mudanças atmosféricas, nunca são harmônicos, tão pouco inspiradores – no entanto naquele vinte e quatro de dezembro o som agradável, transformou a manhã de verão chuvoso do Joaquim em uma manhã de primavera, como uma pintura de Monet parada na eterna placidez do frescor agradável de não ver o tempo passar. Na ânsia curiosidade, levou seu flap-flap dos pêlos da vassoura raspando o chão na buscar da origem do som que não se comparava ao forró pé de serra que admirava, foi em sua nada disfarçada busca que deparou-se com uma moça sentada no último degrau da passagem dos usuários do trem. No seu colo, estava uma caixa de música de plástico cor vermelha e amarela neon. - “Óia” moça, que “belezura” essa tua caixinha de música! – disse o nordestino. – Ela parece até que foi feita por um dos anjos que protegem nossa senhora, “óia” que já vi música boa, mais essa é mesmo “arretada” de boa. Onde foi que tu acho? A jovem enxugou as lagrimas e encarou o sorriso largo de velho questionador. - Era para ser um presente grande para a minha mãe. Ela esta internada na Santa Casa, e eu prometi levar o melhor presente que eu achasse, economizei dois meses de salário. Sei que ela não vai gostar! Ela continuou sem recuperar o fôlego, abria e fechava a tampa da caixa de música nervosa, deixando ora o som sair, ora ser tragado pelo abafo da tampa amarela: - Sai de casa para Santo Amaro, tirei o dinheiro do banco. Ai uma senhora estava desesperada na porta do banco porque a pensão dela não havia caído na sua conta e tinha de comprar o remédio para pressão. Fui com ela e comprei o remédio. Cheguei no Largo Treze de Maio, estava praticamente com os pés dentro de uma loja, quando uma mulher com um bebe no colo me pediu com os olhos cheios de lagrimas um dinheiro para comprar leite e comer. Minha mãe sempre me disse para tomar cuidado com estes pedintes, eles geralmente nos driblam a piedade, mas me deixei levar pelo tal do espírito natalino, mesmo ele, hoje, ser uma moeda corrente e não um sentimento tolamente romântico como o meu. A levei até o supermercado Barateiro, e comprei uma caixa de leite junto com uma cesta básica. Sabia que o dinheiro estava acabando, tinha consciência disto, mas acreditei que nas barraquinhas encontraria algo bom e grande. A fome começou a sufocar meu estomago, minha cabeça doía e então resolvi comer um churrasco grego. Resolvi ir para o hospital e não levar nada. Daria depois do ano novo, depois do próximo pagamento, foi então que passei por uma barraquinha e vi esta caixinha com uma música “ting-ling” sem graça e algo me convenceu a levar, ter pelo ao menos alguma coisa e não chegar com as mãos abanando. - Mais moça – disse o velho ainda com o sorriso – você não percebeu o que te aconteceu? ... Você acredita em milagres? - Mais ou menos. - O som dessa caixinha, eu te dou “muitcha” certeza de que é um dos instrumentos usados no céu para a chagada de Nossa Senhora diante de Deus. Sabe por quê? O faxineiro aguardou uma resposta, mas obteve apenas um aceno de cabeça e um sobe e desce de sobrancelha incrédula: - Quando tu cumpro o remédio pra senhora, ela rezo a virgem que tudo de bom te acontecesse. A mãe com o menino pediu à padroeira que já foi mãe como ela que a abençoasse e a livrasse da dor de não poder dar aquém tu ama aquilo que esse alguém deseja. Tá tendendu”? A maior mãe do céu, pediu a um dos seus anjos pra se passar por “japa” e te vender uma caixa com uma das músicas que ela mais gosta e tu presentear a sua mãe. A moça o olhou incrédula, e pronta para partir no trem que chegava a estação. Mas o velho a desafiou: - “Qué” vê? Abra a caixa e só “ouva” a música que se sai dela. Assim ela fez. Elis nada ouviu dos carros, das pessoas falando, dos escapamentos explodindo, da água da chuva que caia nas telhas de aço da estação, não ouviu a sirene que passou a toda velocidade, também não ouviu o ensurdecedor som das motos costurando os carros em alta velocidade, não ouviu a britadeira que abria o chão com sua fúria, apenas uma música que a levava a outro local, um lugar calmo que existe dentro dela. Elis não queria abrir os olhos, estava envolvida pelo som, como o pico de uma montanha envolvida pela névoa, como um peixe envolvido na eternidade pela água; era como voar, Elis voava dentro de si, sentindo uma paz, o mundo ao redor não existia. Apenas ela e a caixa de música. Uma bolsa bateu em seu ombro e ela abriu os olhos: - Desculpa moça. Disse a inocente agressora. Cadê o faxineiro? Ele não estava lá. Todos entraram nos vagões. O som da cidade estava no ar e só, de pé, na estação Santo Amaro estava Elis, com a caixa de música nas mãos.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Amigo Secreto

Chegou população paulista, chegou o fim do ano! Trazendo contigo as datas comemorativas e o amigo secreto, nosso foco neste momento. Quem nunca brincou de amigo secreto? Pois é... as peripécias das surpresas do presente secreto, ou a insólita escolha daquela pessoa que não gostaria de ter tirado, tudo faz parte deste caldeirão de inconsistência chamado AMIGO SECRETO (AS). Resolvi escrever porque AS em Sampa é sem precedentes nas historias de AS, temos milhares de opções de locais de compras, infindáveis locais para a realização da entrega dos presentes e é claro, milhares de locais para ir após a revelação. Meu AS é da empresa de propaganda em que trabalho, será agora dia 10/12 amanhã no Tamburi Bar às 18:00 na Vila Olímpia. A minha AS, é meiga, estudiosa, companheira, séria, mala, ranzinza e muito compreensiva. Possui o singular nome de uma das divas da MPB. Ela solicitou como presente o novo DVD do Bon Jovi, percebem que o gosto musical rompe as barreiras da modernidade e crava-se no que é bom, independente dos modismos. Sou literalmente fã da minha AS. Trocamos infindáveis recados pelo site amigos secreto.com o qual somos conveniados para a brincadeira. Não será um desgosto entregar-lhe um presente, será uma satisfação. Porém, espero que quem tenha me pego, também me conceda uma agradável surpresa de me presentear com um dos livros de Jostein Gaarder, que foram a minha escolha. Elis, espero que não leia meu blog antes de amanhã, mas se o ler finja que não sabe de nada. Quero que o Bon lhe propicie não somente aqueles momentos de prazer em lhe ouvir, mas o deleite de poder ser um ícone, que mesmo o atual estopim da mídia, ainda ha emociona. Poderia escrever poemas e romances sobre tu Elis, rasgar a criatividade com sua meiguice, transformá-la na heroína de uma romance água com açúcar, ou, na mais divertida e cruel vilã de um drama, mas limito-me, eu este amador escritor, em presenteá-la com o que lhe agrada, o DVD do bom Jovi. Beijos de seu AS.

terça-feira, novembro 30, 2010

FRANCISCO DE PAULA BRITO

Em minhas eternas divagações de eterno escritor em ascensão, me deparei com um questionamento: Há quem me espelho? Afinal, quero uma profissão, ser escritor, em um país em que poucos lêem e, os escritores são uma classe que coexiste somente pela posição social que possuem, digamos como eu, ainda medíocres! Depois de viajar pelas páginas de Jostein Gaarden, reler a velha Bíblia e sonhar com Dom Casmurro, me vi de verdade representado pelo saudoso Francisco de Paula Brito. Coincidentemente com o meu mesmo sobrenome, mesmo tom de pele e acredito fielmente as mesmas indagações a cerca do racismo por nossa pele. Ele nascido no Rio, não no Rio de Janeiro do BOPE, mas no rio antes lei áurea, foi o primeiro editor brasileiro que nasceu e cresceu sobre o signo da pobreza e da mestiçagem, somos praticamente iguais, só que nasci na melhor terra do Brasil – SÃO PAULO. Por isso me espelho e concluo minhas idas e vindas da vida literária, porque fraquejar? Se ele venceu o preconceito, se lutou contra o não ter nada e venceu como o primeiro editor mestiço brasileiro, posso facilmente ser um medíocre escritor a moda antiga na reminiscência da era digital. Meu terceiro livro está me deixando de cabelos em pé, mas não desistir. Sou Paulista e brasileiro, como diz aquela propaganda de apelo estritamente comercial e nada nacional - NÃO DESISTO NUNCA! Continuem apreciando a arte de rua da cidade de Sampa.

quarta-feira, novembro 17, 2010

Largada adolescência.

Sabe quando a adolescência abandona o nosso corpo, e a vida adulta resolve dar as caras sem nem ao menos dar um aviso prévio? Pois é isso que me aconteceu, há uns sessenta dias atrás, fui a Salvador, dar uns bordejo e me vangloriar por ser um errante escritor emergente. Querendo encontrar mais estórias para rechear meus escritos. Mentira. Estava atrás de trampo, e na busca do esquecimento das magoas que um relacionamento conturbado me impregnou. Foi neste momento, sentado no aeroporto, mais uma vez, porque eu quase morei no aeroporto de Congonhas de tanto que passei por lá nestes dois últimos anos, que escrevi este poema, e como uma luz de um Boeing 174, que me iluminou e decidi deixar a vida de andarilho adolescente e tratar de crescer. O popular, “tomar vergonha na cara”. Minha irmã Renata e meu mano Roberto foram quem mais gostaram desta! Mas me digam, existe algum outro lugar na face desta terra que pode nos faze refletir com tal profundidade, além de São Paulo? NÃO, respondo logo. Dois “D’s” {Porque a alma me dói? Sangrando os olhos do que não vejo!} Mais um aeroporto de mala na mão, mais um coração no chão de cimento. Cartas rasgadas, letras apagadas pelo simples ato de não querer. Eu sou Deus e o demônio de mim dois “D’s” do egoísta eu. Queria conseguir, queria! Amar quem sabe, ter raízes talvez. Asas que não vejo me alçam no vento me leva ás surpresas. Não sou da terra Não sou da água Não sou de ninguém sou do mundo. Porém, nem o pobre mundo em sua doce imensidão tragando a todos em sua amplidão me tem também, mas me deixo ficar! As fotos são ainda registros da arte de Rua de São Paulo na região da Paulista.

terça-feira, novembro 16, 2010

Poemas escritos na rua.

Neste momento estou trabalhando muito, mas é muito mesmo, me divertindo bastante, e é muito! Porém, às vezes, para ser sincero estas vezes são bem frequentes, me pego analisando as divergências e incongruências da sociedade. Sabem o que é isso? É o espírito de Sampa, nenhum outro lugar no país e no mundo tem isso, trabalho com afinco, divertimento sem se preocupar com nada e ainda analisar os novos parâmetros da sociedade. È muita modernidade, não é?! Nestas minhas analises, de medíocre escritor emergente, avaliando o cotidiano apresento dois poemas (sonetos para ser sincero), escritos no meio da rua, porque a ideia não tem hora nem lugar para surgir. O primeiro foi escrito mês anterior, sentado na marquise do MASP, em uma terça-feira, que é o dia que o MASP esta aberto gratuitamente para a população, e é o dia em que vou ao museu! As “minas” do MASP. Os arquitetos de amanhã belas mulheres do MASP. cheirosas, filés, gostosas; aquelas que, não me vê. Um grito escandaloso mudo, o risco ensurdecedor surdo. Traço do lápis G humano é a arquitetura ondulante pulsando nas curvas das “minas” do MASP. O próximo, segundo, rabisquei dentro do ônibus em meio ao transito da Av. Brigadeiro, no primeiro dia deste mês, aquela buzinada toda, a fumaça, o sol tostando agente dentro do bus, os trabalhadores em viagem para o sustento, a megalópole acordada. Cidade ! Sabe fugir para o interior? Virar “bicho” no mato mas puxa como é bom a poluição. Não escrever no canto dos pássaros jamais no silêncio das matas quero o grito dos carros o desespero humano, do corpo caindo do prédio no brilho escandaloso do fedor humano, pichado nos muros de São Paulo. As fotos são registros de algumas pichações da região da Paulista, a arte de rua

segunda-feira, novembro 01, 2010

Não tema estado amado, eu te defenderei!

Tem coisa melhor do que voltar para casa? Não, não é!? Há situação mais tranquilizadora? Saber que na sua cidade você pode ser assaltado, ser morto, roubado, mas será pela sua gente, será pelo seu povo. Não terá de render-se a outra cultura que não seja a sua. Isso soa como se eu estivesse em outro país, não é? Pelo incrível que parece, eu estava no Brasil! Eu como um jovem sonhador que sou, joguei a moxila nas costas e parti, rendi á esta etapa louvores, acima do que á mim mesmo. Larguei meu chão, abandonei “facu”, pedi demissão de emprego e esnobei tudo o que eu sabia sobre viver só por achar, que merecia ir atrás do que nem eu mesmo sabia. Amarga desilusão, mas aprendizado bom! Sim, isso é um desabafo. Ranço de termino de adolescência. Mas conhecer-se é isso, não é? Agora eu digo que não, se fosse o antes, diria que sim. Muitas coisas boas me aconteceram, neste local do Brasil, onde o separatismo é gritante, o preconceito de todas as maneiras é escandaloso e difundido por eles. Desculpe-me não dizer a localidade, mas pretendo ainda viver. Volto para Sampa, acreditando que o paulista é o melhor que representa o Brasil, aqui nós temos o trânsito, somos a megalópoles da América Latina e não falamos ALEMÃO e sim o PORTUGUÊS, e mesmo poluidores estamos preocupados com o eco sistema. Aqui fazemos arte e política, nosso preconceito é muito mais raso e facilmente sanado por processos judiciais que são aplaudidos pela sociedade. Dedico este meu blog, aquele verdadeiro Brasileiro, que com braços mulatos, mistura de todas as etnias que vieram aqui trabalhar, mostrou ao mundo a economia e a moderna cultura brasileira, São Paulo. Berço mãe gentil do progresso, seu sucesso atrai inveja e adorados. Não tema estado amado, eu te defenderei!

sexta-feira, setembro 03, 2010

Estou me retirando da sociedade!!!

Seres humanos, amigos e quaisquer outras pessoas que interessar possa. Estou reformulando algumas coisas em minha vida, inclusive o cabelo. Tradução, estarei por alguns dias, ou meses, não sei ainda, recluso no meio do mato. Não é retiro espiritual, nem coisa do além. Estou me dedicando exclusivamente ao meu novo livro. Preciso também pensar em escolhas que fiz para a minha vida, em decisões que para ser um humano melhor, e fazendo terapia com uma parenta que é psico. Para aqueles que sentirem minha falta fico lisonjeado, para os que não sentirem, não posso fazer nada, se tu tem inveja /Risos/ Quando estiver novamente de volta a civilização, que sabe-se lá onde será? Retorno com o HOMEN ENAMORADO, a saga de um amor. Até lá, fiquem a vontade e deliciem-se com este humilde blog. È uma merda, mas tem coisa boa! Para você em especial, EU TE AMO!

quinta-feira, agosto 19, 2010

Pare a conexão. Eu me apaixonei

Já vai o sol dormi através da cortina do meu quarto A hora de parar o tique-taque soou Que confusão atroz, dos vaivéns de janelas. No tempo online me perdi Que balburdia minha tela! Mas eis um deslize O mouse manso com fragor correu Roxo de fome semelhante a um dalit, Pensei em me erguer Erguer-me! Partir da imensidão digital O sol lança ainda amarela luz O frio chega de uma nuvem que se despe O relógio pia do criado mudo Mas fiquei, procurei com sombrio espanto. Olho em um perfil, um blog. Não acho ninguém Por entre sites, arrasto meu alento. Com lentos passos, caminho pela net. Cheguei onde? Ainda eu não sei. Reclinado na cadeira Com a voz ainda magoada De toques tristes, digitei assim “Mulher distante, que não conheço em vida, Por onde andas? Aonde vai se hospedar? Por que se esconde entre sites e bytes? Sabe-se que me vivo a te procurar.” O amor cibernético é um desalento solitário Onde se desliga no Power Liga-se no login Chorando na solidão negra da tela. Abandono os dias de ar puro Buscando aquela página onde vi uma mulher Não era colorida, nem fotoshop a exprimia Era em preta e branca a fotografia. Quão pesado tem sido minha busca Há horas vago no mundo digital Entre lágrimas arranco a esperança Dos sinceros escritos seus. Talvez no mundo real nem mulher seja, Gozes das minhas palavras Como qualquer outro, tolo blogueiro, Em afãs desejos de um toque impar Mas enfim surge ela: -“Nunca, nunca!” o toque lento surge na tela Responde aquela que busco em comunidades -“Nunca, nunca!” repete ela Formosas letras em Arial Black saciam-me a alma Cobre-me do véu a alegria Entre longos sons de uma música qualquer Singela moça de virgens toques Meus escritos encontram os seus: -“Não, não me abandone na imensidão tola da internet Não podes me ver, mas meu peito arde ao ler os escritos seus Mesmo sem as forças, os dedos não param Quero acompanhar a escrita como a fala corrida Quero transpor a matéria e invadir-lhe a tela Alcançar-te em teu quarto gelado Iluminando como a luz real do sol na fresta da janela, Tirando-o do imaginário cibernético.” Por fim o sol deitou-se me seu ciclo dormitório Dormiu com ele a minha solidão.

sexta-feira, junho 18, 2010

Sou uma cria de Saramago.

Onde nas vãs filosofias do existir imaginávamos ter Saramago? Como um deslize de Deus, ou uma incoerência do destino, ele homem, se fez chagas na política. Bom comunista das antigas que era não deixou a entrada do novo século deturpar seu engajamento. Mesmo quando ia para o passado, um de seus olhos estava necessariamente visualizando o presente. Buscando sempre a luz para clarear as ideias tortas dos homens. Exemplo radical disto é o romance “A Jangada de Pedra”. Não vamos esquecer o seu livro mais polémico, “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”. E aos noventa anos, o maravilhoso Caim, que deixa qualquer extremista religioso de cabelos em pé. Saramago mostrou o que é ser mestre, cuspiu em nós o que não queríamos ver, deixou as feridas expostas, treinados nos largou para pensar por nós mesmos. Até agora com sua ida para o descanso da pena, não deixa de criar polémica, como os críticos literários gostam de rotulá-lo. Saramago provou que a matéria não é eterna, mas suas obras estarão perpetuadas para o sempre. Eu tenho medo de não ter Saramago. Quem vai nos defender desta orla populista onde a verdade não é mais escrita? Quem nos trará luz entre a escuridão capitalista? Assim nos embuti á pensar o velho Saramago. Um contestador? Polémico. Sim, senão não seria Saramago. Não posso dizer que o verei em um amanhã pós a vida, estaria contra o que acreditava. Não vou dizer que é uma estrela guia, porque ele mesmo se dizia apenas um simples questionador. Mas carregarei seus enormes parágrafos, sentindo-me mais burro e mais cego agora. Repetirei seus escritos como um dogma, um dia rejeitado pela igreja, não atribuído por Deus, e direi que sou uma cria de Saramago. Nego-me a chorar. Um leve sorriso, quem sabe? E umas humildes linhas em homenagem no jornal no interior. Continuarei seguindo seus passos. Escrevendo, escrevendo, escrevendo... Mesmo sendo um jovem com os limites modernos e sociais. Sei que não irei te alcançar querido Saramago, mas ficarei firme como um cascalho nesta estrada literária, onde ganhou voz e permitiu que muitos outros fossem ouvidos. Não irei descansar nesta batalha de revelar que os poderosos têm de cair, que os humilhados têm de levantar-se e bradar aos castelos dos poderes, até que suas torres de “Babel” caiam, revelando que debaixo ou sobre a terra somos todos iguais, e semelhantes a Saramago.

sexta-feira, maio 28, 2010

PUXARAM MEU TAPETE!

Saindo para procurar emprego. Sim sou parte da estatística brasileira. E fui pivô de uma conspiração da sociedade e de um clichê da atualidade. Risos sem graça. PUXARAM MEU TAPETE!

quinta-feira, maio 27, 2010

Escrever

Quando se tem no interior a busca pelo escrever. A ação torna-se um prazer repleto de decepção e satisfação, unidas em uma só frase. “Vão me entender?”

Dicas importantes para sair vencedor nos concursos literários

Para nós, ou quem escreve. Os concursos é uma oportunidade de revelar-se ao mundo, porém. Como tudo. A famigerada politicagem esta em todos os lugares. Está também nos concursos literários de renome (leya, sesc e outros). O texto de um Zé Ruela pode ser o melhor entre os melhores mas se na ficha do infeliz não constar algum curso de graduação ele ficará de fora. Essa "seleção natural" justifica-se pelo absurdo que seria um Zé Ruela passar à frente de um graduado ou, em outras palavras, uma pessoa normal ser selecionada como melhor que uma pessoa coberta de cursos de graduação e oficinas. O que acontece nesses concursos é o seguinte: Lêem os textos, separam os melhores e verificam o currículo dos autores. Os menos favorecidos têm suas obras descartadas de cara. Com as obras que sobram é que começam a analisar quem "merece" sair vencedor. È muito injusto, mas é assim que funciona o sistema. Hipócrita não é? Mas, não iremos desistir.

domingo, abril 04, 2010

MAQUIAVEL

Quando não temos conhecimento maduro intelectual e científico das coisas, fatos e situações; cometemos equívocos, isso é um fato! Mas, queremos despontar entre aqueles com experiência, e seguimos exemplos. Os mais próximos. A sociedade, ou até mesmo, um grupo em especifico como o literário. Conclusão - encontramos nossa tribo. Carregamos para nós a incumbência de propagar aquilo que verdadeiramente não sabemos; o que nos impuseram este clã social ser o real, sem um conhecimento mais aprofundado, os legítimos personagens da fama boca a boca. Sim, digo isto de cadeira! Aos dezesseis anos, li pela primeira vez o livro “Príncipe" de Maquiavel. Meu prepotente ideal da fase adolescente era sentir-me tal ou qual um graduado. Tendo uma bagagem de conhecimento que, me facilitaria argumentação para todos os campos de conversas, em especial aquelas que acreditava serem modernas. Confesso sem medo. Meu conhecimento escasso levou-me a constrangimentos. Porém o maior constrangimento foi perceber que meu intelecto tinha, talvez ainda tenha, falhas de compreensões. Volto ao exemplo do “Príncipe”, envolvido com os “sonhadores e revolucionários universitários” da década de 90, recebia a maciça abordagem de que “Maquiavel”, em seu livro, era cruel. Seu discurso as autoridades eram um convite á pura dominação do humano e incentivo ao massacre. Mas hoje, ao reler “Maquiavel” com olhos de RI, entendendo o que é o SI, com uma introdução da anarquia internacional. Digo - Eles estavam errados. Os meus “pseudo” instrutores. Eu propaguei um falso entendimento, sobre uma obra voltada totalmente a confirmação de uma fase histórica, denominada Realismo. Teoria que nos fundamentou. Facilitou a identificação de erros e, evolução até aqui, no século XXI. Posso até alterar e afirmar que, varia de um ponto de vista, a compreensão de “M” ou “N” obra literária, mas creio que este é o caminho. Pergunta eterna de um ouvido sem resposta: Você, ser pensante, já se sentiu assim?

terça-feira, março 30, 2010

A retomada de Tribunus.

Sim, estive um longo tempo afastado sem notificação neste meio de comunicação. Como diz o título deste blog, me comprometi em ser o Tibunus. Aquele que vai diante do seu povo, sem medo de relatar as augura que, o parco sistema todos tenta esconder. Devo confessar, não fiz isso. Usei este blog com a mesma finalidade fútil que muitos utilizam. Misturei minhas opiniões, os fatos concretos e aquilo que chamo de “eu mesmo” – leia-se, “vida pessoal”. Risos. Não vou comentar esta minha frase. Depois deste longo período de abstinência escrita, de um aprofundado período de leitura, de um estudo de mim mesmo e uma maior observação do mundo e ao meu redor. Reformulei e direcionei minhas idéias, lamentos e indagações. Parto aqui neste caderno digital, onde as eternas perguntas de um ouvido sem repostas que, saem de mim, buscam no eco do cotidiano tentando nestas mesmas perguntas encontrar suas próprias respostas. Já minhas lamurias, meus medos, alegrias e o meu “eu mesmo”, despejo como um vômito de letrinhas em um novo Romance, também recheado de perguntas, por que por natureza sou um questionador. Não vou falar ainda sobre o tema que estou trabalhando. Está bruto, cru e, ainda fede a incoerência. Quando estiver encorpado, belo e limpo das incertezas que permeiam seu nascimento, darei algumas linhas. O intuito que me trás a pena, como diria o poeta. Não é deixar aqui, minha opinião sobre o caso, monstros Nardone. Acredito que são culpados. Não é para falar sobre no que se tornou o Pré-sal. Os estados estão certos. Não é para questionar os “antecipados candidatos” a presidência de nossa terra tupiniquim. Cuidado Dilma. Também não é para te recordar que a gripe suína ainda esta por ai. Mas o povo esqueceu. Não é para falar sobre o tema do homossexualismo, esfregado na cara de quem fingia não ver, versus o preconceito machista ainda presente no século XXI, pelo programa BBB 10. NÃO! Vamos olhar para um ponto que quase ninguém vê, e quando vê. Não vê, ouve! Através da suave voz de Fátima Bernardes e, o envolvente timbre de William Bonner. Acordo EUA-Rússia sobre armas nucleares O Ministério das Relações Exteriores publicou uma nota no dia de ontem informando que Estados Unidos e a Rússia assinarão no início de abril, na República Tcheca, novo acordo bilateral para a redução recíproca de armas nucleares, com vistas a substituir e aprofundar os compromissos do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START-I), expirado em dezembro de 2009. Quero lembrá-los que esta busca pelo equilíbrio da balança internacional – entende-se o acordo – acontece entre dois antigos rivais. A fim de inibir um ao outro para uma revelia, ou até mesmo uma retomada de Guerra Fria. E nós? Que nesta anarquia que é o sistema internacional, somos pequenos infantis? O jovem Brasil, ao invés da velha Europa e do Adolescente EUA, não requereu uma fatia de bolo. Fomos comendo palas beiradas e, como bons brasileiros, demos um jeitinho de partir da beira para o meio. Sem parada na cereja. Chegando diretamente nos braços da ONU. Hoje podemos como jovens observadores do sistema internacional, expressar nossa opinião. E consideramos que o novo tratado representa um avanço importante no campo do desarmamento nuclear e está em linha com os passos que julgamos necessários para eliminação irreversível dos arsenais atômicos. O nosso Governo espera que na VIII Conferência de Exame do Tratado para a Não-Proliferação de Armas Nucleares – TNP, a ser realizada em maio, em Nova York, as potências nucleares sejam capazes de adotar novas medidas concretas, para colocar em prática seu comprometimento com o desarmamento nuclear, expresso nas Conferências de Exame do TNP em 1995 e em 2000. Pergunta eterna de um ouvido sem resposta: Nestes dez anos, só agora vão diminuir a produção de armas de destruição? E o que já foi produzido, vão jogar onde? Só espero que, não na cabeça dos mais novos!

segunda-feira, março 08, 2010

Eu...

Não, eu não estava no terremoto no Haiti. Não, eu não estava no terremoto no Chile. Não estava no maremoto no Ilhas Fuji. Não estava nas enchentes pelo Brasil a fora. Eu estava muito preguiçoso, sem ter o que fazer, coçando o saco na maior gandaia em frente à televisão, comendo feito um javali selvagem, querendo engordar como a orca Willy. Por estes simples motivos não respondi a email, não escrevi no meu blog, não fiz perguntas que ninguém me irá responder e... eu estava com principio de depressão. É isso ai, não queria fazer nada, com os dedos do pé quebrado, me vi incapacitado, parecendo uma personagem daquela novela super legal. Qual o nome: Viver a vida? Não. Que chata vida! Daquele autor, Manoel tanahoradeseaposentar Carlos. Enfim, volto com eternas perguntas. Com a bateria carregada. Novidades, cortei o cabelo, estou novamente com micose (isso não é novidade), fiz três micro-cirurgias, não sambei no carnaval. Enfim, quero que tudo vá para algum lugar, bacana! Revoltas a parte, comecei um novo livro, o tema é mais leve que Maçãs Mofadas, porém mais divertido que o perdedor do Oscar, Avatar! Pergunta eterna de um ouvido sem resposta: O plano de governo da Dilma incluiu proteção a catástrofes naturais? Fátima Bernardes, te amo, você esta sumida do JN. O quê o Bonner esta te fazendo?

quinta-feira, janeiro 14, 2010

Nossa ampulheta do tempo

2010 iniciou-se recheado de desgraças e destruições naturais que, levam o ser humano a concluir que sua extinção, pode realmente, estar próxima. Será o calendário Inca real? O blockbuster “2012” é uma premonição? Quando quebrei os dedos do pé direito, dia 30 de Dezembro, o traumatologista disse-me uma frase um tanto quanto espiritualista: “Pelo ao menos, deixou as coisas ruins em 2009.” Mas, hoje, 13 de Janeiro, ainda sentindo dor, não posso deixar de pensar que minha dor é efêmera diante das catástrofes que, assolam a esfera terrestre. Muito próximo de mim, na cidade de Marques de Souza, interior do Rio Grande do Sul, as enchentes matam animais e homens, desvelam os mortos de suas tumbas, deixando-os presos as árvores como um sinal. Um aviso que, nossa ampulheta do tempo está correndo. Na virada do ano a cidade maravilhosa cobriu-se com o véu negro, pelas mortes nos deslizamentos em Angra e no Morro da Carioca. Não bastando, à natureza revela sua fúria debaixo de nossos pés, destruindo a cidade de Porto Príncipe no Haiti, deixando mais de 100 mil mortos e milhares de feridos. As areias da ampulheta estão correndo! Mesmo assim não tomamos consciência. O que foi a “aquilo” em Copenhague? Nada mais do que uma reunião de crianças mimadas brincando de poder? Porque somos assim? Onde esta a inteligência, que entre aspas fajutas, “nos difere dos animais”? A falta de inteligência deles provocou a fúria da natureza? Claro, que não. Eu, particularmente, não deixei nada de ruim em 2009, trouxe comigo, como todos os outros seres humanos. Ainda há guerra, ainda há poluição, ainda há desmatamento desgovernado e eu ainda reluto em reciclar meu lixo. A mãe natureza, esta dando um castigo á nós, seus filhos, por desobedecermos suas ordens, plantamos o mal e estamos comendo a dor. São palavras clichês que todos conhecem, porém, verdades. Registro aqui meu pesar aos familiares dos milhares de mortos e aos feridos. Espero que no amanhã ao nascer de um novo sol através do buraco na camada de ozônio, a mãe natureza, como uma amorosa mãe, nos tire do castigo da dor, espatifando no futuro, nossa ampulheta do tempo e, nos deixe fazer tudo melhor do que antes.

sábado, janeiro 09, 2010

Este é 2010

Tenho de relatar como iniciei 2010. Literalmente de perna para o ar. Quebrei os dedos, médio e anelar do pé esquerdo, isso no dia 30. Passaria o réveillon em Sampa, não pude ir, festejei no litoral catarinense na praia de Gamboa, entre amigos do peito e o meu amor. Não estou trabalhando, tenho dores e minha vida literária, parou dia 02, quando terminei de ler “Caim” de Saramago. Hoje resolvi mudar meu blog, dar uma repaginada, tentar uma comunicação com amigos e idealizar um novo projeto, outro livro. “Maças mofadas” já esta na rua, estou à espera que uma editora me publique, que aposte nas palavras da Aline e, veja na Sara a verdade entre o paralelo de deixar de existir e existir enfim. “Maças Mofadas” é o meu primeiro livro “solo”, terceiro do meu sonho de vida literária, foi difícil, maravilhoso, cansativo e angustiante escrevê-lo. Decidi descobrir o mundo e me descobrir. Exprimir no papel a minha imaginação aliada ao que vivencio, são os dois ingredientes que me ajudam a acreditar que, o mundo pode ser melhor do que é. “Maças Mofadas” nasceu de três tristezas. Três amigos de infância cometeram suicídio, suas cartas de despedidas chegaram até mim, inspirado, por estas cartas, criei outras. Nesse obscuro do deixar de viver, despertei Aline (personagem fictícia), a garota que mora em mim. Descobrindo o que é o viver, sem estar viva de fato. Através da fina casca do mofo de uma maçã, ela espalha sua ironia e crueldade infantil, mostrando a nós os vivos, que a “morte” nada mais é do que, um sentimento que passa. Um pouquinho para conhecer. (...)Foi então que eu vi uma árvore negra, atrás dela, dava para enxergar o céu branco e nuvens num tom de cinza bem claro, penduradas, em seus galhos, grandes maçãs, vermelhas como o batom da minha tia “Ana Babaloo”. Eram as mais lindas maçãs que eu já tinha visto em toda a minha existência, eram tenras, suculentas, brilhantes, e eu sorri por poder enxergar suas cores. Se eu pudesse chorar, eu teria me desfeito em lágrimas naquela hora. Acredito que meus olhos brilharam como dois diamantes diante da visão mais bela de todo universo, o vermelho de um fruto, senti também como se estivesse diante da árvore do fruto proibido. Uma das maçãs caiu do alto da árvore negra, deslizou pelo grosso tronco e rolou pelo gramado até bater na ponta do meu pé. Peguei delicadamente, como se estivesse pegando a maior preciosidade do universo, faltou mão para envolvê-la, enquanto eu a trazia para cima, ela mofava diante dos meus olhos, até surgir uma camada grossa de veludo mofo por cima do vermelho paixão. Fiquei tão furiosa com aquilo, senti como se fosse uma falta de respeito pelos meus sentimentos, joguei na garotinha que tinha de dar cabo de sua vida. Se alguém pudesse me ver naquela hora poderia jurar ter visto o capeta em forma de menina de tão furiosa que fiquei. Foi, então, que escolhi esta forma de dizer: “Chegou a sua hora!” (...) Este é 2010. Chegando como todos os outros, trazendo expectativas, medos, esperanças e precisando ser preenchido.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

“Auto-analise” inconsciente.

Notável se fez nosso país. Evoluímos economicamente. O verão foi mais quente. Um negro chegou ao poder norte americano. Mudei para terras distantes das conhecidas. Me casei! Chegou aquele momento da balança pessoal, “auto-analise” inconsciente. Sem perceber, estou me dirigindo para aquele momento em que analiso o que fiz em 2009, com certeza direi a mesma frase do ano passado: “Putz, como eu vivi”! Desde que, me encontrei como um ser pensante, adotei, simplória frase conclusiva em minha analise. Afinal, foi isso que fiz, eu vivi. Não vivi apenas arrastando a carcaça corporal debaixo do sol, lutei por pequenos ideais, também chorei por grandes decepções e, me vi, na clichê, roda gigante da vida. Enquanto estava em uma boa fase, curtindo o ar fresco das alturas, caguei, rindo do coitado que iria receber bosta na cabeça. Mas a roda, eterna representante da física, girou, o coitado que recebeu a própria bosta na cabeça, fui eu. Sim, eu cometi erros, utilizei a mesma cota de pecados de todos os anos, eternos, sete pecados capitais. O ano que vem, prometo que vai ser diferente. Todos dizem isso, mas eu vou tentar, quem sabe consigo. Prometo evitar os sete pecados, mesmo sabendo que, há algum momento, posso cometê-los sem perceber. Vou parar de fumar, vai ser um sacrifício, mas vou conseguir, eu sei, vou dizer não ao mundo maravilhoso do tabagismo e, cair na cruel ala dos não fumantes. Não irei me impor á leitura de 1.000 livros como em 2009, só eu sei, o quanto sofri para realizar tal proeza e, só eu sei, o quanto ouvi de dúvidas, que esta proeza consegui realizar. Em contra partida, irei dormir apenas quatro horas por dia, para estudar muito e ler. E irei amar, respeitar, dar o melhor de mim, para pessoa que escolhi como minha companhia, o meu amor. Para você, verdadeiramente, não sei o que lhe dizer para o próximo ano. Espero apenas que, não se acomode e saia por aí, arrastando a carcaça do seu corpo, debaixo do sol. Apenas viva, faça planos, mesmo que não consiga alcançá-los, os planos te retardam a morte. Agora para o momento da virada do ano, tome vergonha na sua cara e, não beba até cair.
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