quinta-feira, janeiro 14, 2010

Nossa ampulheta do tempo

2010 iniciou-se recheado de desgraças e destruições naturais que, levam o ser humano a concluir que sua extinção, pode realmente, estar próxima. Será o calendário Inca real? O blockbuster “2012” é uma premonição? Quando quebrei os dedos do pé direito, dia 30 de Dezembro, o traumatologista disse-me uma frase um tanto quanto espiritualista: “Pelo ao menos, deixou as coisas ruins em 2009.” Mas, hoje, 13 de Janeiro, ainda sentindo dor, não posso deixar de pensar que minha dor é efêmera diante das catástrofes que, assolam a esfera terrestre. Muito próximo de mim, na cidade de Marques de Souza, interior do Rio Grande do Sul, as enchentes matam animais e homens, desvelam os mortos de suas tumbas, deixando-os presos as árvores como um sinal. Um aviso que, nossa ampulheta do tempo está correndo. Na virada do ano a cidade maravilhosa cobriu-se com o véu negro, pelas mortes nos deslizamentos em Angra e no Morro da Carioca. Não bastando, à natureza revela sua fúria debaixo de nossos pés, destruindo a cidade de Porto Príncipe no Haiti, deixando mais de 100 mil mortos e milhares de feridos. As areias da ampulheta estão correndo! Mesmo assim não tomamos consciência. O que foi a “aquilo” em Copenhague? Nada mais do que uma reunião de crianças mimadas brincando de poder? Porque somos assim? Onde esta a inteligência, que entre aspas fajutas, “nos difere dos animais”? A falta de inteligência deles provocou a fúria da natureza? Claro, que não. Eu, particularmente, não deixei nada de ruim em 2009, trouxe comigo, como todos os outros seres humanos. Ainda há guerra, ainda há poluição, ainda há desmatamento desgovernado e eu ainda reluto em reciclar meu lixo. A mãe natureza, esta dando um castigo á nós, seus filhos, por desobedecermos suas ordens, plantamos o mal e estamos comendo a dor. São palavras clichês que todos conhecem, porém, verdades. Registro aqui meu pesar aos familiares dos milhares de mortos e aos feridos. Espero que no amanhã ao nascer de um novo sol através do buraco na camada de ozônio, a mãe natureza, como uma amorosa mãe, nos tire do castigo da dor, espatifando no futuro, nossa ampulheta do tempo e, nos deixe fazer tudo melhor do que antes.

sábado, janeiro 09, 2010

Este é 2010

Tenho de relatar como iniciei 2010. Literalmente de perna para o ar. Quebrei os dedos, médio e anelar do pé esquerdo, isso no dia 30. Passaria o réveillon em Sampa, não pude ir, festejei no litoral catarinense na praia de Gamboa, entre amigos do peito e o meu amor. Não estou trabalhando, tenho dores e minha vida literária, parou dia 02, quando terminei de ler “Caim” de Saramago. Hoje resolvi mudar meu blog, dar uma repaginada, tentar uma comunicação com amigos e idealizar um novo projeto, outro livro. “Maças mofadas” já esta na rua, estou à espera que uma editora me publique, que aposte nas palavras da Aline e, veja na Sara a verdade entre o paralelo de deixar de existir e existir enfim. “Maças Mofadas” é o meu primeiro livro “solo”, terceiro do meu sonho de vida literária, foi difícil, maravilhoso, cansativo e angustiante escrevê-lo. Decidi descobrir o mundo e me descobrir. Exprimir no papel a minha imaginação aliada ao que vivencio, são os dois ingredientes que me ajudam a acreditar que, o mundo pode ser melhor do que é. “Maças Mofadas” nasceu de três tristezas. Três amigos de infância cometeram suicídio, suas cartas de despedidas chegaram até mim, inspirado, por estas cartas, criei outras. Nesse obscuro do deixar de viver, despertei Aline (personagem fictícia), a garota que mora em mim. Descobrindo o que é o viver, sem estar viva de fato. Através da fina casca do mofo de uma maçã, ela espalha sua ironia e crueldade infantil, mostrando a nós os vivos, que a “morte” nada mais é do que, um sentimento que passa. Um pouquinho para conhecer. (...)Foi então que eu vi uma árvore negra, atrás dela, dava para enxergar o céu branco e nuvens num tom de cinza bem claro, penduradas, em seus galhos, grandes maçãs, vermelhas como o batom da minha tia “Ana Babaloo”. Eram as mais lindas maçãs que eu já tinha visto em toda a minha existência, eram tenras, suculentas, brilhantes, e eu sorri por poder enxergar suas cores. Se eu pudesse chorar, eu teria me desfeito em lágrimas naquela hora. Acredito que meus olhos brilharam como dois diamantes diante da visão mais bela de todo universo, o vermelho de um fruto, senti também como se estivesse diante da árvore do fruto proibido. Uma das maçãs caiu do alto da árvore negra, deslizou pelo grosso tronco e rolou pelo gramado até bater na ponta do meu pé. Peguei delicadamente, como se estivesse pegando a maior preciosidade do universo, faltou mão para envolvê-la, enquanto eu a trazia para cima, ela mofava diante dos meus olhos, até surgir uma camada grossa de veludo mofo por cima do vermelho paixão. Fiquei tão furiosa com aquilo, senti como se fosse uma falta de respeito pelos meus sentimentos, joguei na garotinha que tinha de dar cabo de sua vida. Se alguém pudesse me ver naquela hora poderia jurar ter visto o capeta em forma de menina de tão furiosa que fiquei. Foi, então, que escolhi esta forma de dizer: “Chegou a sua hora!” (...) Este é 2010. Chegando como todos os outros, trazendo expectativas, medos, esperanças e precisando ser preenchido.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

“Auto-analise” inconsciente.

Notável se fez nosso país. Evoluímos economicamente. O verão foi mais quente. Um negro chegou ao poder norte americano. Mudei para terras distantes das conhecidas. Me casei! Chegou aquele momento da balança pessoal, “auto-analise” inconsciente. Sem perceber, estou me dirigindo para aquele momento em que analiso o que fiz em 2009, com certeza direi a mesma frase do ano passado: “Putz, como eu vivi”! Desde que, me encontrei como um ser pensante, adotei, simplória frase conclusiva em minha analise. Afinal, foi isso que fiz, eu vivi. Não vivi apenas arrastando a carcaça corporal debaixo do sol, lutei por pequenos ideais, também chorei por grandes decepções e, me vi, na clichê, roda gigante da vida. Enquanto estava em uma boa fase, curtindo o ar fresco das alturas, caguei, rindo do coitado que iria receber bosta na cabeça. Mas a roda, eterna representante da física, girou, o coitado que recebeu a própria bosta na cabeça, fui eu. Sim, eu cometi erros, utilizei a mesma cota de pecados de todos os anos, eternos, sete pecados capitais. O ano que vem, prometo que vai ser diferente. Todos dizem isso, mas eu vou tentar, quem sabe consigo. Prometo evitar os sete pecados, mesmo sabendo que, há algum momento, posso cometê-los sem perceber. Vou parar de fumar, vai ser um sacrifício, mas vou conseguir, eu sei, vou dizer não ao mundo maravilhoso do tabagismo e, cair na cruel ala dos não fumantes. Não irei me impor á leitura de 1.000 livros como em 2009, só eu sei, o quanto sofri para realizar tal proeza e, só eu sei, o quanto ouvi de dúvidas, que esta proeza consegui realizar. Em contra partida, irei dormir apenas quatro horas por dia, para estudar muito e ler. E irei amar, respeitar, dar o melhor de mim, para pessoa que escolhi como minha companhia, o meu amor. Para você, verdadeiramente, não sei o que lhe dizer para o próximo ano. Espero apenas que, não se acomode e saia por aí, arrastando a carcaça do seu corpo, debaixo do sol. Apenas viva, faça planos, mesmo que não consiga alcançá-los, os planos te retardam a morte. Agora para o momento da virada do ano, tome vergonha na sua cara e, não beba até cair.
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