quinta-feira, dezembro 30, 2010

A última parcela.

Véspera de réveillon de 2010, o litoral paulista estava abarrotado de gente quanto os grãos de areia da praia. Mas para Nelson era a melhor data de lucrar em sua barraca de bijuterias no centro da cidade, precisamente na região da república; é o momento de fazer o pé de meia, de colher o melhor de seu fruto como camelo, para tal tarefa contava sempre com o filho Milton. O brilho do sol na pele das moças paulistas, o quebrar suave das ondas nos pés, a efervescência da Champagne borbulhando suavemente no céu da boca; estes eram os anseios do jovem Milton, que mesmo depois de muito relutar, seguiu sua sentença de acompanhar o pai no labutar pela sobrevivência de ser mais um a margem de uma das maiores metrópoles do mundo, São Paulo. Duas longas horas e nenhum cliente, nenhum movimento de ser vivente. Apenas os bares preparando-se para a chegada dos foliões: - Filho, chamou a atenção o pai, quer aprender o segredo da felicidade? Milton relutou em encarar o olhar do pai. Já tinha sua convicção de felicidade, que seria passar as últimas horas do velho ano e o início do infante 2011há beira mar, cercado de mulatas e amigos como planejou. Encarou a Nelson com olhos questionadores: - Sim, véio! O pai Nelson entregou ao filho uma colher e um ovo, e lhe pediu que andasse pelo centro de São Paulo. Caminhasse pelas avenidas onde muitos homens entregaram suas vidas para que fossem feitas, os prédios construídos pelos sonhos dos fundadores da cidade, os monumentos que representavam parte da história que agora era dele, que colhesse em seu olhar cada detalhe das abobadas dos prédios mais antigos, que seus olhos lacrimejassem ao reluzir do brilho de um prédio espelhado moderno: - Porem, não deixe o ovo cair e nem o segurasse com as mãos! O rapaz começou seu percurso, passeou pelo teatro municipal, subiu e desceu as calçadas, mantendo sempre os olhos fixos na colher. Ao final de duas horas, retornou à presença do pai. – Então – perguntou depois de atender uma freguesa Hip – você viu as maravilhas construídas pelo sonho e suor daqueles que transformaram esta cidade em uma megalópole? O rapaz, envergonhado, confessou que não havia visto nada, que sua única preocupação era não deixar o ovo cair: – Pois então volte e refaça o percurso – ordenou Nelson após uma pausa. – Você não poderá sonhar um futuro próspero e conhecer a felicidade se não souber o que já foi construindo em um tempo onde não se havia recurso para tal, não se preocupe nem com a colher ou o ovo, preocupe-se em conhecer a sua cidade. Mais tranquilo Milton pegou a colher, e voltou a passear pela cidade de São Paulo, desta vez reparando em todas as obras de arte esculpidas em forma de prédios, de praças, de monumentos que adornavam a cidade, entre as modernas arquiteturas dos jovens prédios de 10 anos e os barroquismos de quase 100. Muitas das vezes escondidas atrás de longas árvores resistentes ao progresso do homem, como testemunhas vivas de que ali um dia fora apenas mata nativa. Há poucos minutos para à hora da virada do ano retornou o filho, cheirava a ovo e os olhos estavam vermelhos por ter chorado. A rua já estava abarrotada de foliões da virada. Mendigos e pessoas da sociedade misturavam-se como uma grande massa de pão, sovada pelo tempo. Os fogos explodiram no alto dos arranha céus. Nelson abraçou o filho, e lhe disse olhando no fundo de seu olhar castanho amêndoas: – O segredo da felicidade, filho, está em olhar todas às maravilhas do mundo, e nunca se esquecer do ovo na colher. As maravilhas são muitas, mas o futuro se faz com trabalho e esforço até mesmo quando não queremos. As três da madrugada quando o metrô voltou a funcionar partiram para casa, e o pai com um sorriso infantil de felicidade segredou ao sonolento filho: - Agora a gente já tem a última parcela da nossa casa. Feliz 2011 á todos!

sexta-feira, dezembro 24, 2010

A caixa de música

È véspera de Natal de 2010, o senhor Joaquim faxineiro da estação de trem Santo Amaro da movimentada cidade paulista, capital econômica do Brasil – São Paulo se preparava para o seu repetitivo e corriqueiro trabalho, varrer a estação e recolher o lixo abandonado pelos transeuntes da estação, quando ouviu um som inspirador. Estamos no começo do verão brasileiro, como sempre chuvoso e abafado, o ar seco do inverno fazia tempo que não estava no ar, e os sons da cidade que são mutáveis acompanham as mudanças atmosféricas, nunca são harmônicos, tão pouco inspiradores – no entanto naquele vinte e quatro de dezembro o som agradável, transformou a manhã de verão chuvoso do Joaquim em uma manhã de primavera, como uma pintura de Monet parada na eterna placidez do frescor agradável de não ver o tempo passar. Na ânsia curiosidade, levou seu flap-flap dos pêlos da vassoura raspando o chão na buscar da origem do som que não se comparava ao forró pé de serra que admirava, foi em sua nada disfarçada busca que deparou-se com uma moça sentada no último degrau da passagem dos usuários do trem. No seu colo, estava uma caixa de música de plástico cor vermelha e amarela neon. - “Óia” moça, que “belezura” essa tua caixinha de música! – disse o nordestino. – Ela parece até que foi feita por um dos anjos que protegem nossa senhora, “óia” que já vi música boa, mais essa é mesmo “arretada” de boa. Onde foi que tu acho? A jovem enxugou as lagrimas e encarou o sorriso largo de velho questionador. - Era para ser um presente grande para a minha mãe. Ela esta internada na Santa Casa, e eu prometi levar o melhor presente que eu achasse, economizei dois meses de salário. Sei que ela não vai gostar! Ela continuou sem recuperar o fôlego, abria e fechava a tampa da caixa de música nervosa, deixando ora o som sair, ora ser tragado pelo abafo da tampa amarela: - Sai de casa para Santo Amaro, tirei o dinheiro do banco. Ai uma senhora estava desesperada na porta do banco porque a pensão dela não havia caído na sua conta e tinha de comprar o remédio para pressão. Fui com ela e comprei o remédio. Cheguei no Largo Treze de Maio, estava praticamente com os pés dentro de uma loja, quando uma mulher com um bebe no colo me pediu com os olhos cheios de lagrimas um dinheiro para comprar leite e comer. Minha mãe sempre me disse para tomar cuidado com estes pedintes, eles geralmente nos driblam a piedade, mas me deixei levar pelo tal do espírito natalino, mesmo ele, hoje, ser uma moeda corrente e não um sentimento tolamente romântico como o meu. A levei até o supermercado Barateiro, e comprei uma caixa de leite junto com uma cesta básica. Sabia que o dinheiro estava acabando, tinha consciência disto, mas acreditei que nas barraquinhas encontraria algo bom e grande. A fome começou a sufocar meu estomago, minha cabeça doía e então resolvi comer um churrasco grego. Resolvi ir para o hospital e não levar nada. Daria depois do ano novo, depois do próximo pagamento, foi então que passei por uma barraquinha e vi esta caixinha com uma música “ting-ling” sem graça e algo me convenceu a levar, ter pelo ao menos alguma coisa e não chegar com as mãos abanando. - Mais moça – disse o velho ainda com o sorriso – você não percebeu o que te aconteceu? ... Você acredita em milagres? - Mais ou menos. - O som dessa caixinha, eu te dou “muitcha” certeza de que é um dos instrumentos usados no céu para a chagada de Nossa Senhora diante de Deus. Sabe por quê? O faxineiro aguardou uma resposta, mas obteve apenas um aceno de cabeça e um sobe e desce de sobrancelha incrédula: - Quando tu cumpro o remédio pra senhora, ela rezo a virgem que tudo de bom te acontecesse. A mãe com o menino pediu à padroeira que já foi mãe como ela que a abençoasse e a livrasse da dor de não poder dar aquém tu ama aquilo que esse alguém deseja. Tá tendendu”? A maior mãe do céu, pediu a um dos seus anjos pra se passar por “japa” e te vender uma caixa com uma das músicas que ela mais gosta e tu presentear a sua mãe. A moça o olhou incrédula, e pronta para partir no trem que chegava a estação. Mas o velho a desafiou: - “Qué” vê? Abra a caixa e só “ouva” a música que se sai dela. Assim ela fez. Elis nada ouviu dos carros, das pessoas falando, dos escapamentos explodindo, da água da chuva que caia nas telhas de aço da estação, não ouviu a sirene que passou a toda velocidade, também não ouviu o ensurdecedor som das motos costurando os carros em alta velocidade, não ouviu a britadeira que abria o chão com sua fúria, apenas uma música que a levava a outro local, um lugar calmo que existe dentro dela. Elis não queria abrir os olhos, estava envolvida pelo som, como o pico de uma montanha envolvida pela névoa, como um peixe envolvido na eternidade pela água; era como voar, Elis voava dentro de si, sentindo uma paz, o mundo ao redor não existia. Apenas ela e a caixa de música. Uma bolsa bateu em seu ombro e ela abriu os olhos: - Desculpa moça. Disse a inocente agressora. Cadê o faxineiro? Ele não estava lá. Todos entraram nos vagões. O som da cidade estava no ar e só, de pé, na estação Santo Amaro estava Elis, com a caixa de música nas mãos.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Amigo Secreto

Chegou população paulista, chegou o fim do ano! Trazendo contigo as datas comemorativas e o amigo secreto, nosso foco neste momento. Quem nunca brincou de amigo secreto? Pois é... as peripécias das surpresas do presente secreto, ou a insólita escolha daquela pessoa que não gostaria de ter tirado, tudo faz parte deste caldeirão de inconsistência chamado AMIGO SECRETO (AS). Resolvi escrever porque AS em Sampa é sem precedentes nas historias de AS, temos milhares de opções de locais de compras, infindáveis locais para a realização da entrega dos presentes e é claro, milhares de locais para ir após a revelação. Meu AS é da empresa de propaganda em que trabalho, será agora dia 10/12 amanhã no Tamburi Bar às 18:00 na Vila Olímpia. A minha AS, é meiga, estudiosa, companheira, séria, mala, ranzinza e muito compreensiva. Possui o singular nome de uma das divas da MPB. Ela solicitou como presente o novo DVD do Bon Jovi, percebem que o gosto musical rompe as barreiras da modernidade e crava-se no que é bom, independente dos modismos. Sou literalmente fã da minha AS. Trocamos infindáveis recados pelo site amigos secreto.com o qual somos conveniados para a brincadeira. Não será um desgosto entregar-lhe um presente, será uma satisfação. Porém, espero que quem tenha me pego, também me conceda uma agradável surpresa de me presentear com um dos livros de Jostein Gaarder, que foram a minha escolha. Elis, espero que não leia meu blog antes de amanhã, mas se o ler finja que não sabe de nada. Quero que o Bon lhe propicie não somente aqueles momentos de prazer em lhe ouvir, mas o deleite de poder ser um ícone, que mesmo o atual estopim da mídia, ainda ha emociona. Poderia escrever poemas e romances sobre tu Elis, rasgar a criatividade com sua meiguice, transformá-la na heroína de uma romance água com açúcar, ou, na mais divertida e cruel vilã de um drama, mas limito-me, eu este amador escritor, em presenteá-la com o que lhe agrada, o DVD do bom Jovi. Beijos de seu AS.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...