segunda-feira, julho 18, 2011

Os Gomez

A noite era de tranquilidade, e o pai Mauro conversava animadamente com o filho Guillermo. Gargalhadas e relatos sexuais eram regados a boas doses de vodca. Guillermo já alcoolizado ouvia atentamente a descrição do encontro de pai de sessenta anos com a misteriosa moça de vinte. Semanas anteriores o ex-deputado Mauro tinha sido convidado a prestar consultoria política a um jovem deputado na cidade de Campinas. Aposentado do senado federal vivia dos rendimentos que a política ainda podia lhe proporcionar, e de consultoria aqueles que ambicionam as melhores posições no senado brasileiro:

Eu estava tomando um café quando senti um perfume maravilhoso invadir a padaria. Guillermo quando olhei para o lado. Vi a mulher mais gostosa que este velho poderia sonhar em ter nestes braços flácidos. E papo vai, papo vem. Quando dei por mim tinha conseguido o brotinho. È um bebê que precisa de mamadeira o tempo todo. Moleque! Seu velho aqui não perde tempo. Ela diz que quer chupar, eu corro pra dar de mamar.

As gargalhadas exageradas tomaram o recinto. Foi quando a porta da sala bateu atrás deles. Era Juarez o filho mais velho. A dias o homem dava suas fugidas dos atentos olhares do pai, irmão e da enfermeira que o cuidava. Agia pelo instinto de um homem normal e adulto. A calça de moletom era a mesma do dia anterior. Estava sorridente, a mais que o seu normal, e no canto esquerdo do lábio escorria a espessa baba de sempre, que serpenteava na barba por fazer. Em sua constrangedora e involuntária ação de revolver o órgão genital de um lado para o outro, pronunciou um nome, que caiu aos ouvidos do pai como uma trovoada em meio ao a um dia de sol radiante:

Qui-i-té-é-ria!

Seu penis babava como sua boca, e mostrava-se vigilante pelo remexer de um lado ao outro. Era aquela sensação que procurava. Aquele sentimento que queria. Juarez buscava em seu corpo o arrepio revigorante que o revelava que estava vivo:

De onde você tirou esse nome? Berrou o pai. Não quero mais ouvir este nome aqui na minha casa. Ouviu? Ouviu seu débil-mental?

Calma pai. Foi Guillermo em defesa do irmão.

Foi você que ensinou pra ele?

Ensinou o que?

O nome daquela criança? Não quero mais ouvir este nome. E saia da minha frente com essa porra dura entre as pernas. Falou a Juarez o empurrando para o corredor de acesso aos quartos.

Para com isso pai. Eu não ensinei nada pra ele. Vai ver que foi a Lucrecia. O senhor sabe com ela era apegada a mamãe. E só esta conosco porque prometeu pra ela em seu leito de morte que cuidaria do Juarez. Além do mais no que há de mal? Ela esta longe mesmo, e a gente nunca teve contato com ela. A tia Maura nem deve ter contado sobre a gente para ela.

Terminou a noite para os homens da família Gomez. O pai nos braços de Kika em um motel barato no centro da cidade de São Paulo. Guillermo masturbando-se em seu quarto, relembrando o rebolado de Kerina, a garota que planejava pedir em casamento no próximo mês. Juarez inundado em seus sentidos de sentir seu corpo. Tateando cada parte dele na complexa mutação de seu avantajado membro, que causaria inveja ao mais seguro homem por seu tamanho. Refazendo no intrigado de sua recordação afetiva o toque suave da moça do apartamento 69, o sorriso suave por ela compartilhado, o beijo molhado no ouvido. Desejou gritar, mas se conteve por medo da repreenda dos parentes. Tentou chorar, mas estava feliz. Mordeu o travesseiro e logo soltou para respirar. Queria lambuzar-se no barro e contentou-se em aninhar-se nos lençóis de algodão. Sentia fome, mas sabia que estava saciado. Queria o mundo sobre ele na convulsão tremula das pernas; como quando sentiu quando a moça do quarto ao lado deitou-se nua sobre seu corpo. Adormeceu.

***

Novamente o pai e Guillermo. No ritual masculino do papo noturno acompanhado da vodca. Falava ao pai sobre suas intenções com Kerina. Estava decidido e queria a aprovação do pai, por isso marcar um jantar para a próxima noite, a fim de apresentá-la ao patriarca e fazer o tão desejado pedido. O brinde selou a aprovação de Mauro. E o motivou a trazer a namorada para o jantar, compartilhar com ela que logo, logo, pelos seus planos também seria parte da família. E a queria neste momento de alegria entre os Gomez. Seria a apresentação do filho e do pai. Os Gomez e seus pares. Mas, havia Juarez.

Rompeu Dona Lucrecia em desespero ao centro da sala:

Senhor Mauro, Juarez desapareceu novamente.

Tinha que sumir. Você não sabe cuidar dele. Ergue-se bruto contra a senhora.

Ele pediu pão, eu fui buscar, e quando voltei não estava mais no quarto dele. Então procurei pelo apartamento antes de vi até o senhor.

Chega de desculpa. Você não olhou ele direito e o babão sumiu.

Não senhor Mauro.

Que não o que? Assim que ele voltar, porque sei que vai voltar. Já voltou outras vezes. Você vai pegar os seus trapos e ir embora e...

Mas senhor Mauro!

Sem mais. Você é surda, velha?

Para papai. Por favor, Lucrecia, procura novamente.

Juarez bateu a porta por trás de si quando entrou:

Chegou o babão do pinto grande! Disse o pai em deboche.

Graças a Nossa Senhora! Exclamou Lucrecia.

Onde você estava Juarez? Questionou Guillermo.

Não importa! Interrompeu o pai antes de respondesse. Vai logo para o seu quarto antes que comece a babar pelo chão da sala. Tira a porra da mão do pinto. E você. Disse para Lucrecia. Pega suas miudezas e rua.

***

No aparelho de cd tocava Monica Naranjo em sua interpretação para Chicas Malas, o filho dizia que era música preferida da namorada. A mesa posta para um jantar a quatro. Juarez no quarto fora proibido de sair. Vestiu a única calça social que possuía e a camisa de listras verde limão. A campainha tocou. O pai foi atender. Guillermo estava no banheiro. Juarez se plantou no meio do corredor que dava visibilidade para a porta de entrada. O perfume da mulher invadiu o recinto. Era o cheiro que hipnotizava os Gomez. Guillermo apreçou em balançar o diminuto órgão genital. Juarez sorriu e Mauro sentou os frouxos lábios enrugados nos firmes sulcos labiais dela.

A mulher no bar no canto da sala. Preparando as bebidas. De costas para o sofá. O vestido longo de flores coloridas dançarem nas voltas do seu corpo. Guillermo voltou do banheiro e sentou-se ao lado do pai, admirando a pedido deste as curvas traseiras da namorada. Juarez ainda de pé no meio do corredor segurava seus movimentos junto com a respiração contida. Ela virou-se dando sua face para o deslumbre dos Gomez:

Kika! Exclamou radiante Mauro

Kerina? Questionou perplexo Guillermo.

Qui-i-té-é-ria! Inundou-se de prazer Juarez ao pronunciar o verdadeiro nome dela. Sentia-se mais especial que o pai e o irmão por ser o único a pronunciá-lo.

Acalme-se Guillermo. Disse suave e com cautela. Foi tudo uma coincidência. Quando te conheci, já conhecia seu pai.

Espera aí. Você é a tal da Kerina? O pai vermelheou.

Guillermo não conteve as lagrimas:

Mas por quê?

Amo os dois, de corpo e alma. Seria capaz de dividir meu corpo e meu coração para poder ser duas e amá-los separadamente. Mas não posso. Não posso mandar neste sentimento. Nós mulheres amamos com os deuses, não há como explicar, não tem como descrever, só se ama. E eu amo aos dois.

Como fazemos? Questionou o pai.

Mas eu te amo, Kerina. Te quero para mim!

Eu também te quero meu querido. Como amo e quero a seu pai.

Não... Não. Guillermo desmanchava-se em lagrimas, enquanto Mauro encantava-se mais pela figura de sua Kika.

Sei que não poderemos viver juntos, sendo eu amada por pai e filho. A sociedade não aceitaria e Deus nos condenaria. Então serei daquele que mais me amar.

Tirou de sua bolsa também florida qual o vestido um revolver calibre 38. Pousou-o no centro da mesa posta em frente ao sofá onde estavam sentados. Encarou aos dois com a mesma doçura de sempre:

Aquele que mais me amar. Dele serei!

Me nego a isso, é loucura.

Sem titubear. Aproveitando-se da fraqueza do filho. Mauro agarrou o revolver como quem agarra um fio de esperança em um momento de morte e atirou a queima roupa entre os olhos dele, largou a arma no sofá e partiu para o abraço de seu premio:

Minha. Você é minha. Viu com te amo. Disse na agitação do ato cometido beijando com vontade, sem perceber que ela não o abraçava, não reagia como desejava.

È melhor você sentar.

Mauro afastou-se e a encarou. Ela apontou com o queixo para trás de si. Lá estava Juarez com o revolver apontando para o pai:

Não tenha medo, Kika. È o meu filho retardado que te falei. Disse para ela acreditando que a iria tranquilizá-la. Me dá isso babão. Juarez não reagiu.

Vou repetir novamente. Senta. Esta última pronunciou secamente.

Como é? Perguntou incrédulo.

Atira no pé dele bonitinho. Assim fez Juarez.

Eu disse para você sentar.

Mauro sentou-se com o pé esquerdo queimando. A cólera tomou seu corpo e desejou agredir ao filho, mas a imagem que se formou diante dele dissolveu a cólera dando lugar a perplexidade. Juarez estava ao lado de sua Kika. Ainda lhe apontando a arma, e babando como sempre. E desta vez quem estava no ato de remexer o avantajado órgão era ela:

Você não sabe o quanto eu desejei este momento. Para ser sincera imaginei que seria difícil, mas foi muito fácil. Eu planejei este momento a vida toda...

O que é tudo isso? Questionou o velho já com lagrimas nos olhos.

Isso? É a vingança a favor de minha mãe e de minha tia. Primeiro você troca minha tia Maura pela minha mãe Carmen. Até ai tudo bem. Se você a amasse ainda era aceitável. Mas não. Para um Gomez tem de ter uma podridão. Tem de ser como quando você era político, imundo e asqueroso. E ainda violentador.

Mas...

Cala a boca, se não o Juarez acerta o outro pé. Você agrediu minha mãe por longos anos. Eu fui feita em estupro. Na minha gestação você a agrediu. Tem consciência de como você foi desumano?

Quitéria? Questionou Mauro entre lagrimas.

Qui-i-té-é-ria! Repetiu Juarez com um sorriso aberto.

Sim, pai. Quitéria. Sou a causa das fugas do Juarez todas as tardes para o apartamento 69 aqui do prédio.

Não pode ser. E Maura?

Falecida de câncer a seis meses, sem direito a um tratamento adequado. Sobrevivendo com uma aposentadoria de domestica concedida pelo governo espanhol. Foi essa a vida que você fez minha tia Maura viver. Longo dos amigos, dos conhecidos. Longe de sua pátria. Assim que ela se foi tratei de vir de Madrid. Onde você me mandou junto com ela. E eu tinha dias de nascida. Dias. Chega, não é papai. Ta na hora de acabar com tudo isso.

Espera filha... Me perdoa.

Como posso, se ao seu filho querido, o Guillermo você não pensou duas vezes antes de executá-lo? Sejamos justos. Bonitinho, no meio da testa dele. Assim fez Juarez.

Quitéria ainda com a mão envolvendo o órgão genital levou-o até a sacada. O vento fresco da noite levantava o cheiro dela como um redemoinho em plena duna de areia. O aroma envolveu o homem que apenas sorria e babava:

Pula e me espera lá embaixo.

Pulou para a amplidão de sua liberdade. Na procura do melhor sentimento que seu corpo poderia proporcionar. O vento que passava rápido por seu rosto inundado do cheiro de Quitéria fazia-o sorrir. Não baba. Mas estava excitado e do...

quarta-feira, julho 13, 2011

O inferno de Perséfone

João puxou lentamente o lençol que cobria o corpo da mulher Perséfone, deixando cair na beirada da cama, onde já estava de joelhos seguindo em direção ao macio pescoço dela que dormia. A mulher passou os dedos do pescoço ao ombro quando o vapor quente do hálito dele encontrou sua pele, que eriçava pela falta do tecido que a protegia do frescor da noite. A outra mão entregava-se a deliciosa suavidade do despertar. No momento preciso em que seu esposo colava os dentes em sua jugular, seus pés esticavam-se na contorção do corpo abandonando a pose de concha para estar reta na cama. Suavemente os olhos abriram, e o susto a fez ergue-se com ímpeto:

— Não. João Não.

Em seguida foi impedida de erguer-se e acender a luz, por ele. Os olhos de João inertes em sua direção aumentavam seu pavor. Não possuía a plena certeza de como conduzir, mais aquela crise de identidade do marido.

— O que você quer Rachel?

Quando foi sua vez de falar, João fechou os olhos e respirou fundo. Ela desviou o olhar e conseguiu visualizar o titulo do livro posto sobre o criado mudo: O Vampiro Rei.

— O que você quer Rachel? — a pergunta soou seca e agressiva.

— Não sou Rachel. Sou a Solrun — Decidiu entrar na onda imaginaria do marido, mas alterando as regras. Trazendo-o conforme a orientação do psiquiatra á lembrança de um livro que ambos tenham conhecimento, e que ela o possa conduzir.

— Solrun? — repetiu com lagrimas no olhar suave que se formava.

Assim que João se acalmou, Perséfone correu em direção ao interruptor e ligou a luz. O olhar ofuscou e foi forçado a fechá-lo rapidamente. Estava exausto pela força mental que o mantinha preso a ilusão, mas ainda não possuía a certeza se diante de si estava Solrun ou Perséfone. Naquele momento, era como se sua mente não se importasse em dissipar a ficção e trazê-lo de volta a realidade, e Perséfone sabia que teria de conduzi-lo para ela. Como outras vezes o fez, e que talvez houvesse de fazer por toda a vida.

— Espanhola, espanhola — pronunciou a forma carinhosa que chamava a esposa, com as mãos ainda coladas nos olhos. — Eu fiz de novo?

Perséfone abraçou sua cabeça entre os seios. — Você entrou em mais um livro, meu amor. — respondeu entregando-se em seus pensamentos. O medo já havia saído dela, mas a preocupação a dominava a partir de então.

Retornou para seu lugar na cama, João rapidamente pegou no sono. Preocupou-se ainda em esconder o livro que ele lia. Com o olhar pesado, mirando o homem que amava dormindo tranquilamente, disse, quase em sussurro:

— Meu viajante sonhador. Quando vai ser só o João? O meu João.

Apesar de surpreender-se sempre com a facilidade que o companheiro possui para incorporar o personagem que se identifica em um romance, Perséfone nutria a esperança de que um dia ele não mais seria enganado por sua própria mente:

— Perséfone?

Olhou-o compadecida, como se o marido compreendesse seus pensamentos. Ainda sonolento ele se sentou, apoiando o tronco na cabeceira da cama. Pesadas lagrimas fugiam de seu olhar. Ela sorriu, porque sabia que quem estava diante dela era o seu amado:

— Me perdoa amor. Me desculpa por minha mente nos enganar? — insistiu.

A mulher segurou a mão do esposo com delicadeza, puxou-o para seu colo e afundou os dedos em seus cabelos loiros. Passaram o restante da madruga relembrando outros momentos e personagens a que ele fixou em sua realidade. Até que João teve a curiosidade de questionar a forma que ela o trouxe de volta:

— Me passei por Solrun.

— Do “Castelo nos Pirineus”?

— É. Qual o nome do autor? Neozelandês ele?

— Não. Da Noruega, “Jostein Gaarder”.

— Qual o livro que estava lendo?

— O “Vampiro Rei” do brasileiro “André Vianco”. — olhou-a com pesar — Estava te confundindo com a Rachel?

— Isso. Quem é ela?

— A inimiga do Cantarzo, o vampiro Rei.

Sem mais nada a dizer, Perséfone foi até o guarda-roupa para pegar uma manta. O frio do amanhecer crescerá. João olhando-a de costas, vestida em camisola rosa. Sentiu a cama tremer e se viu com dezessete anos. Diante dele não estava mais Perséfone, mas Madame Clessi. O sangue fresco e abundante escorria pelo corpo dela de pé diante dele. Perséfone falava ainda animosamente com o marido, mas ele apenas compreendia gemidos, cada vez mais estridentes que mostravam a ele que a morte não viria á ela e que seria assombrado por sua amante por muito tempo:

— João?

— Não Clessi. Por favor, vá embora. Eu não quis te enfiar a tesoura, mas você reagiu. Eu só queria dinheiro. — correu até a penteadeira e tirou habilmente a tesoura de dentro da primeira gaveta. Apontou para ela. — Se não for embora eu faço de novo.

Perséfone pensou em correr, mas temia que fosse atrás dela e a apunhalasse pelas costas. Fez novamente uso da tática:

— Não sou Clessi. Sou Nelson.

— Nelson. — continuou ele sem compreender. — Que Nelson?

— O autor.

— Nelson Rodrigues?

— Sim. Agora me diz que peça é essa, João? — novamente havia dado certo. João estava de volta, mas até quando?

---

Dr. Pavanelli desejava não atender o paciente João e sua esposa. Já os recebia por três vezes consecutivas, e não via alternativa, somente a internação. Não sabia mais como persuadir a esposa para seguir um tratamento com observação constante. Além das informações da esposa com os relatos das crises, não tinha nenhuma outra prova de que João possuía patologia psíquica. Os exames não mostravam alteração. As seções de analise só revelavam que ela era um leitor voraz de todo tipo de leitura. Apenas um apaixonado por literatura. Simples leitor voraz. Chegou a crer que a esposa que poderia possuir alguma patologia. Com a firme decisão de dar um basta as constantes visitas do simpático esposo e da neurótica mulher, os recebeu:

— Senhora Perséfone, espero ser mais claro desta vez. Seu esposo não apresenta nenhuma patologia psíquica. Não podemos continuar com isso. Como lhe disse anteriormente o que posso fazer e interná-lo por um período para analisarmos de perto.

— O senhor não me ouviu? — explodiu a mulher, João beijou-a na testa e saiu com a desculpa de ir ao banheiro. — na noite passada ele quase me mordeu no pescoço achando que era um vampiro. Também tentou me matar com uma tesoura. — o desespero infiltrava-se nos olhos dela.

— Mas ele não apresenta nada, por isso que lhe digo que precisamos analisá-lo de perto.

— Não quero interná-lo. Eu sei que isso vai passar.

— Mas é a única alternativa que vejo.

— Não consigo compreender. Pagamos uma fortuna por estas consultas e o senhor não é capaz de fazer o seu trabalho. — estava irritada e tornava-se agressiva — porque não diga logo de uma vez que não possui capacidade para achar uma solução ao problema do meu marido. Afinal o senhor comprou seu diploma, é isso?

— Basta. — gritou o psiquiatra. — Não vou admitir que a senhora me insulte desta maneira. O seu marido não possui nada!

— Claro que o senhor ira dizer que não possui nada. Seus exames observaram o físico dele. Ele não possui nada físico, o problema dele é na mente. Não há uma forma de examinar sua mente?

— Com todo o respeito Senhora Perséfone, quem apresenta aqui um distúrbio é você. Estou fielmente crente que você precise de tratamento. E, se quiser provar que seu marido está psicologicamente desequilibrado me de uma prova real.

Mesmo com o sentimento de raiva que estava acometido, Dr. Pavanelli sentou-se aliviado em sua poltrona quando a mulher saiu de seu consultório batendo a porta. Foram pouco minutos de tranquilidade até a mulher romper a sala antes que chamasse pelo próximo paciente:

— João desapareceu. — berrou da porta com o rosto encharcado de lagrimas — por favor. — suplicou ao médico.

João diante do espelho sobre a pia no banheiro vislumbrou seu rosto branco escurecer. Os cabelos lisos encaracolar-se e perderem o brilho dourado que possuíam. Desta vez era um dalit, um intocável Indiano. João incorporará o personagem do livro “Na pele de um Dalit” de Marc Boulet. Sentia sobre o corpo um pano sujo de terra e rasgado. Dormia na rua e comia o que encontrava em um monte de lixo. Aos olhos desconhecedores da história de João, era apenas um mendigo qualquer que caiu na desgraça de se perder na loucura de viver na rua.

Foram dois anos de angustia a Perséfone. Noites mal dormidas e a soluçante esperança de que um dia ele voltaria. Que seu viajante sonhador entrasse pela porta e pedisse desculpas por se perder em sua mente. Mas ele não voltava. Certa vez antes de a noite chegar trazendo escuridão para mais um dia sem ele, saiu caminhando com uma amiga sem destino certo. Conversavam, mas na verdade nada ouvia. Foi quando parou diante de um morador de rua, pousou suave a mão nele:

— Pelo amor de Deus, Perséfone, o que esta fazendo?

— Vendo se está morto. — não chorou como imaginou que faria quando o encontrasse, ao contrário, sorriu.

— Você não esta pensando que este homem é o João? — limitou-se apenas a balançar positivamente a cabeça e a abraçar o homem moribundo — Mas ele não é loiro. Olhe com atenção é outro homem, minha amiga — Regina estava incrédula e assustada com a atitude da amiga.

O homem abriu os olhos, mexeu-se diminuto. Fixou seu olhar na mulher que o abraçava:

— Espanhola, espanhola — pronunciou a forma carinhosa que chamava a esposa. — Eu fiz de novo?

— Meu viajante sonhador. — Disse acariciando-lhe os cabelos que voltavam a ser do João.

Ao retorno dos contos

Para retorno da proposta inicial deste blog apresento alguns contos que criei para o “DESAFIO DE ESCRITORES”, que é uma oficina literária virtual promovida pelo Núcleo de Literatura do Espaço Cultural da Câmara dos Deputados em Brasília, organizada pelo Coordenador do Núcleo, o escritor e professor Marco Antunes.

segunda-feira, julho 11, 2011

Grupo Iluminatus

Docentes e estudantes são atores indispensáveis no processo de ensino e aprendizagem que é o meio para um desenvolvimento educacional e social do cidadão. È nesta premissa que uso como base para fundamentar o desenvolvimento do grupo de poesia Iluminatus na E.E. Jardim da Luz. Quando inicie no programa “Escola da Família”, meu intuito como de muitos outros jovens que se inscrevem no programa era estritamente o custeio dos estudos. Entretanto com o desenvolver do projeto de algo novo para a comunidade e a interação e participação ativa dos alunos, esse tímido empenho iniciou um processo de desenvolvimento superior as expectativas da diretora da escola Mirian de Carvalho e da educadora profissional Maria de Souza Oliveira, sendo assim firmei o compromisso de tornar o conhecimento da poesia por partes dos alunos algo superior a apenas um programa de bolsa de estudos.

O olhar da criança sobre o espaço-escola aberto a comunidade e suas experiências de vida. Este é o foco principal para a realização do projeto Grupo de Poesia Iluminatus. Existem relações profundas entre o simples ato de ler, cultura e arte no processo de criação humana. No entanto raramente estas discussões integradas se realizam em sala de aula. Tema que buscamos proporcionar ao grupo de poesia. Além de proporcionar um aperfeiçoamento das faculdades intelectuais em português e literatura propostos em sala de aula nos dias letivos, mas com uma roupagem descomprometida em que a abordagem e o interesse do jovem são o combustível condutor dos encontros que ocorrem na biblioteca aos sábados e domingos. A primeiro passo realizamos um concurso de poesia livre em que os alunos interessados poderiam por em pratica o livre desejo de escrever. Como premio do concurso participar do passeio junto aqueles que se escreveram livremente para o grupo de poesia ao Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura. Lá os alunos contaram com uma programação especialmente elaborados para eles. O grupo de poesia obteve a parceria do núcleo educativo do espaço com a pessoa da Camila.

Dá um medo de que a subjetividade da poesia não seja aprendida pelos jovens. É bem verdade. Mas quando passa o medo, a coisa vai ficando fácil, e o olhar preconceituoso é rendido por poemas limpos e bem desenhados por dramas sociais. E esse desenvolvimento tem rendido frutos gloriosos com poemas que refletem a vivência do jovem carente e do sedento por oportunidades. Um reflexo de um Brasil em moderna construção educacional!

Estamos em preparo para o primeiro recital do grupo de poesia e exposição deste trabalho. Junto a parceria Casa das Rosas com data já prevista os alunos foram convidados a participar do recital que acontece mensalmente na casa. Assim expandir os conhecimentos em sala de aula e apresentar-se diante do mundo literário como construtor de ideias e formadores de opinião. Para tanto o programa escola da família é a ponte entre os educadores universitários como eu, Robson Di Brito, e as comunidades onde as transformações humanas ocorrem a todo o tempo de forma transformadora e magnífica.

domingo, julho 10, 2011

DESCLASSIFICAÇÃO DE EDUCADORES UNIVERSITÁRIOS II

Termina hoje a primeira semana que publiquei a indignação e o descaso aos universitários que fazem uso de bolsa de estudos para concluir seus estudos no post DESCLASSIFICAÇÃO DE EDUCADORES UNIVERSITÁRIOS. A mesma indignação encaminhei para algumas entidades governamentais e é claro para a faculdade UNIP, que até o presente momento não me prestou esclarecimentos, plausíveis – CLARO! Na secretaria da faculdade há apenas a informação que alguém cometeu um erro, mas não há resposta sobre minha posição como bolsista ou não. Entretanto recebi algumas respostas que publico aqui na integra para vocês:

Prezado(a) Senhor(a) Robson

Em atenção ao seu e-mail, segue, abaixo, retorno do setor competente da FDE - Fundação para o Desenvolvimento da Educação:

Em atenção ao seu questionamento, após consultar a equipe coordenadora do Programa Escola da Família, informamos que até a presente data não houve a renovação do Convênio Bolsa Universidade entre a FDE - Fundação para o Desenvolvimento da Educação e a Universidade Paulista, pois a instituição não apresentou a documentação necessária devidamente valida. Dessa maneira, todos os universitários de referida instituição foram desclassificados e suas atividades suspensas.

De acordo com o previsto no regulamento bolsa universidade capitulo IX – item 7.

O convênio é imprescindível para que sejam disponibilizadas as bolsas. Esclarecemos que a renovação do convênio poderá ser retomada a qualquer tempo, desde que a universidade apresente a documentação citada. Comprovada essa regularidade, todos os universitários desligados poderão ser reinseridos ao Programa Escola da Família, fazendo jus novamente à bolsa de estudos.

Atenciosamente,

CCI - Centro de Comunicação Institucional

Fundação para o Desenvolvimento da Educação

Esta mensagem veio do MEC:

Prezado(a) Sr(a) Robson Gomes de Brito, O protocolo de n° 5450854, senha 14NVAXK6Y1X, foi aberto em 3/7/2011, às 20:28, e está sendo tratado pela área responsável.

Esta é uma mensagem automática. Favor não respondê-la.

Só, mais ninguém me respondeu.

Continuo na espera.

Por quê? Eu sou assim, assim que sou!

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