sábado, julho 28, 2012

Flecha de madeira sagrada


Nesta continuação de explorar e conhecer os troncos da religião africana encontro-me com o Orixá Oxossi. Este novo poema da coletânea Raiz de Baobá, é para a representação daquele que é considerado patrono da linha dos caboclos, atuando para o bem-estar físico e espiritual dos seres humanos.

Oxossi ou Odé, para a Umbanda representa uma das sete forças primordiais de Deus, pertencendo ao polo positivo das energias espirituais, expandindo, irradiando e impelindo os seres para a construção vigorosa de seus destinos, bem como garantindo que os mais fragilizados encontrem doutrinação firme e amorosa, desenvolvendo seu saber religioso e sua fé.

Sua origem é na mitologia africana, filho de Yemanjá, irmão de Omulu-Obaluayê e rei da cidade de Oyó, localizada na África sudanesa – de onde provêm os povos nagô (keto, ijexá e oyó) e mina-jeje. Também é considerado o caçador por excelência; o arqueiro de uma flecha só – sempre certeira.

No sincretismo, ocorrido no Brasil em razão da perseguição religiosa aos cultos africanos a figura de Oxossi aparece, misturada à figura católica de São Sebastião. 

O filho de Oxossi apresenta arquetipicamente as características atribuídas do Orixá. Representa o homem impondo sua marca sobre o mundo selvagem, nele intervindo para sobreviver, mas sem alterá-lo. Odé desconhece a agricultura, não muda o solo para ele plantar, apenas recolhe o que pode ser imediatamente consumido, a caça. Psicológico a ele identificado, o resultado dessa atividade é o conceito de forte independência e de extrema capacidade de ruptura, o afastar-se de casa e da aldeia para embrenhar-se na mata, afim de caçar. Seus filhos, portanto são aqueles em que a vida apresenta forte necessidade de independência e de rompimento de laços. Assim os filhos de Oxossi trazem em seu inconsciente o gosto pelo ficar calado, a necessidade do silêncio e desenvolver a observação, tão importantes para seu Orixá.

Geralmente Odé é associado às pessoas joviais, rápidas e espertas, mental como fisicamente. Tem portanto, grande capacidade de concentração e de atenção, aliada à firme determinação de alcançar seus objetivos e paciência para aguardar o momento correto para agir.

Que seja sempre certeira a Flecha de Odé – Òké Aro! Arolé!

quinta-feira, julho 19, 2012

Tronco de ferro



Para a continuação da coletânea RAIZ DE BAOBÁ, apresento o Orixás mais cultuado e amado. Utilizado muitas vezes de forma pejorativa e banalizada. Confesso que estou com receio em continuar esta coletânea, não por conta do tema, mas pude compreender, através de comentários e postagens, que as pessoas ainda possuem pré-conceitos daquilo que difere de suas crenças. Só tenho de pedir respeito, apenas isso, acima de qualquer credo.

Acredito que seja importante sabermos que Ogum (em Yorùbá: Ògún) é, na mitologia Yorùbá, sim existe mitologia na África, como existe na Grécia: é o Orixá ferreiro, o senhor dos metais. Considerado o primeiro dos orixás a descer do Orun (o céu), para o Aiye (a Terra), após a criação, o semideus visando uma vida humana. Em comemoração a tal acontecimento, um de seus vários nomes é Oriki ou Osin Imole, que significam o "primeiro orixá a vir para a Terra". O próprio Ogum forjava suas ferramentas, tanto para a caça, agricultura e para a guerra. Na África seu culto é restrito aos homens, e existiam templos nas províncias de Ondo, Ekiti e Oyo. 

Em 23 de abril, é feriado no Rio de Janeiro. Cariocas e devotos do mundo inteiro comemoram o dia de São Jorge. Padroeiro de Portugal, da Inglaterra e da Catalunha. São Jorge também é protetor dos soldados, militares, ferramenteiros e ferroviários. A devoção a São Jorge cresceu no Brasil pelos escravos que, proibidos de adorar seus Orixás, passaram então a fazer seus pedidos, cultos e rituais fora das igrejas, associando a imagem de São Jorge a Ogum, o sincretismo. Dizem que ele mora na lua, mas, porque Neil Armstrong não disse que o viu por lá em 1969? 

Ogum, também é o Orixá da guerra, do fogo e da tecnologia. Ele que criou as máquinas para a agricultura e ensinou aos homens a trabalhar o ferro com o fogo. De gênio impaciente e determinado, este Orixá usa a espada para abrir seus caminhos e derrotar seus inimigos. Representa o líder nato. Mas se invocado de um modo negativo, ele deixará sua espada se abater sobre quem foi injusto.

Recomendo para o conhecimento das lendas dos Orixás, o livro “Contos e lendas afro-brasileiras – A criação do mundo”, escrito por Reginaldo Prandi e ilustrado por Joana Lira, editora Cia. das letras. 

Trago então – RAIZ DE BAOBÁ: Ogum

quinta-feira, julho 12, 2012

Folha delicada de Baobá



Para a continuação da coletânea RAIZ DE BAOBÁ, faço uso desta vez de uma delicada folha, que denomino Inaiá. Esta cabocla que tem recebido minhas orações, agradecimentos e suplicas, acolhe em seu seio materno as lamurias dos homens. Em especial elevo minhas palavras à Cabocla Inaiá do Núcleo Umbandista Butantã sobre diligência de Cecília Angelis. Que não tem medido esforços, para que este ramo da cultura brasileira e africana, não se perca na ferrugem do preconceito e do tempo.

No culto de Umbanda, Oxossi é o chefe da linha de caboclos. O caboclo é a imagem do indígena nativo de nossa terra e quando incorporado, presta caridade, dá passes, canta, dança e anda de um lado para outro em lembranças aos tempos de aldeia. 

Lembremos que os Caboclos se dividem em diversas nações: Aimorés, Tupis, Tamoios, Guaranís, etc. Cada uma caracterizada por uma combinação de cores em geral. As legiões de Caboclos oriundos de várias linhas e cada linha são constituídas de sete legiões, cada uma com seu chefe. A linha de Xangô que inclui as legiões de: Iansã, caboclo Cachoeira, Pedra Branca, Caboclo do Sol, da Lua, Treme-Terra e caboclo do Vento. Na linha de Oxossi estão às legiões de: Araribóia, Guaranís (chefiada por Araúna) Cabocla Jurema, cabocla das Sete encruzilhadas, Pele vermelhas (chefiada por Águia Branca, Tamaios e Urubatão). A linha de Ogum inclui as legiões de: Ogum Beira Mar (praias), Ogum Delei (linha de Malei da Quimbanda) Ogum Iara (rios), Ogum Matinata (campos), Ogum Megê (linha das almas na Umbanda), Ogum Naruê (linha das almas Quimbanda), e Ogum Rompe-Mato (matas). Na linha de Yemanjá estão às legiões de: cabocla Iansã (chuvas/raios) , cabocla Iara (rios/mares), cabocla Indaiá (lagos), Cabocla Janaína (mar), cabocla Nanã (fontes), cabocla Oxum (cachoeiras), e Sereia (mar).

Conhecedor de muitas ervas, os caboclos têm um papel muito importante: os remédios de ervas e amacis, em que amacis são mistura de ervas que maceradas servem para o fortalecimento dos médios. Já os remédios de ervas são plantas ou ervas que combinadas ou sozinhas servem para aliviar ou até mesmo curar doenças. Nisso tudo os caboclos têm participação muito especial e são encarados e interpretados pelo povo como uma entidade que veio ajudar e aliviar as pessoas dos seus problemas.

quarta-feira, julho 04, 2012

O primeiro tronco de Baobá



Ainda imbuído na cultura africana, envolvo-me em sua mitologia, religião, lendas e mitos para criar esta nova coletânea, intitulada RAIZ DE BAOBÁ. Baobá que é a árvore dos símbolos fundamentais das culturas arcaicas. Os velhos baobás africanos de troncos enormes suscitam a impressão de serem testemunhas dos tempos da criação dos homens pelos Orixás. Os mitos e o pensamento mágico-religioso Yorubá têm na simbologia da árvore um de seus temas recorrentes. A árvore surge como o princípio da conexão com o mundo sobrenatural.

Uma das versões do mito relata que foi através do Òpó-orun-oún-àiyé – o pilar que une o mundo transcendente ao seu modo inseparável da natureza – que os deuses primordiais chegaram ao local aonde deveriam proceder o início do processo de criação. Este pilar – muitas vezes simbolizado pela árvore ou por seu tronco – é uma figura de origem, é um signo do fundamento, do princípio de todas as coisas, elemento de conexão entre a multiplicidade dos “mundos”.

Para este primeiro poema, como manda a tradição da religião africana, elevo minhas palavras a Exu. É ele quem deve receber as oferendas em primeiro lugar a fim de assegurar que tudo corra bem e garantir sua função de mensageiro entre os mundos material e espiritual. De cores vermelho e preto, é o mensageiro dos Orixás, seus elementos são fogo e terra – astucia, esperteza e rapidez são suas características. Guardião das coisas que são feitas e do comportamento dos homens. A palavra Èsù em Yorubá significa esfera, e na verdade, Exu é o Orixá do movimento.

Na África na época dos colonizadores, e ainda hoje, Exu foi sincretizado erroneamente como o Diabo, por conta de seu estilo irreverente, brincalhão e a forma como é representado no culto africano. Em seu sincretismo podemos encontrar ainda a designação de Exu em Vodum (Fon) como Elegbara, em Inquice (Banto) Aluviá, Bombogira e no católico como Diabo e São Miguel Arcanjo.

Recomendo para o conhecimento das lendas dos Orixás, o livro “Contos e lendas afro-brasileiras – A criação do mundo”, escrito por Reginaldo Prandi e ilustrado por Joana Lira, editora Cia. das letras.
Apresento – RAIZ DE BAOBÁ: Exu
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