quinta-feira, fevereiro 27, 2014

A volta de Darwin a Londres



Darwin: a vida de um evolucionista atormentado
Autor(es): Adrian Desmond e James Moore
Da: Editora Geração Editorial, 2013
Tradução: Cynthia Azevedo.

Chegamos ao capítulo referente aos anos de 1836-1842 da Biografia de Charles Darwin.

O querido Darwin, está de volta a Londres. Muito trabalho para sua literatura de geologia, detalhando plantas, minerais e Zoologia. Entre estes trabalhos seu catálogo sobre os animais e caminhos que percorreu em Galápagos.

Também ocorre uma grande mudança na vida do evolucionista. Ele casa-se com Emma Wedgwood, sua prima. Sorrateiramente, de forma clandestina, escondido da mídia e da própria esposa começa seus rascunhos sobre a evolução humana. Na verdade no ano de seu casamento 1839, seu primeiro rascunho, tinha dois anos de idade.

Estamos frente a um Robert Charles famoso por sua viagem, líder da escola de geologia de Londres e ao mesmo tempo um exilado em sua residência. O casal recebe a visita da cegonha duas vezes consecutivas. De forma eficiente, mas a ave que trás os bebês erra por seis vezes. Em uma janela de dez anos, Emma perde seis fetos, vingando apenas quatro.

Por conta da fama de Charles e as revoluções na academia de ciência, que se dividem entre os pré-evolucionista e os cientistas anglicanos, ele teme apresentar suas considerações, teorias e teses sobre a evolução humana. Adrian Desmond e James Moore apresentam a teoria de Darwin em uma comparação a macieira de Chilóe, uma estratégia de amenizar as ideias contrarias aos dogmas vigentes. Uma árvore ramificada que melhor se assemelha a história genealógica dos animais e vegetais:

“O tronco simbolizava o antigo ancestral comum, a cepa da qual todos os animais brotavam; o tronco único deveria ter tido uma origem única”.  

Suas teorias divergem com a de outro grande cientista, Lamack, o qual se apoia para desenvolver as suas. As teorias lamarckianas não acreditam que o homem é um supermacaco, mas sim parte da energia vital da vida em que toda a natureza compõe. Neste momento temos a compreensão de que a evolução do homem pelo “macaco” não é uma ideia nova para Darwin. Mas além de divergir com esta ideia de Lamarck, evoluem suas considerações acerca da participação do homem na natureza. Para Darwin, todos vivem juntos nesta energia vital que a natureza propõe. E a humanidade não poder ser posta em um pedestal, como algo acima das leis naturais. Vamos combinar que isso é sim, a frente do tempo dele!

Uma característica que é revelada sobre a personalidade de Charles, que é transparente em suas cartas e diários, é seu senso de humor. Crítico, negro e ácido. Mas humorado! Que contrasta com a imagem carrancuda que temos do velho evolucionista. Enquanto ele faz seus escritos obscuros da evolução, tira sarro, faz galhofa da religião, de cientistas e até de si mesmo.

Um detalhe simplório, quase sem significação. Mas sua esposa Ema, – que também é cunhada de sua irmã, ou seja, um troca-troca de família. Escândalo hoje, mas supernormal para a época – teve aulas de piano com ninguém menos do que CHOPIN! Chupa essa, pobres e miseráveis de Londres passando fome, e crianças limpando chaminé. A família era definitivamente simples e humilde, coitados!

Isso não é pouco. Durante a coroação da Queen Vitória (1838), a chamada Imperatriz da Índia; por conta de suas publicações, Darwin, é simplesmente condecorado e convidado a compor o quadro dos membros do clube literário “Athenaeum Club”. O mesmo clubezinho que – adivinhem quem... Quem? Quem era membro honorário? – Charles Dickens. Olha como o “Destino” foi generoso com Darwin.

Logo, postagens das próximas leituras.
Enfim.
Eu sou assim.
Assim que sou.

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

Clube dos 27: Amy Winehouse



Clube dos 27: Amy Winehouse
Autor(es): Cristophe Boffette, Patrick Eudeline (roteiro), Javi Fernandez (desenho) e Luca Merli (cores)
Da: Conrad Editora do Brasil, 2013
Tradução: Diego de Kerchove

Tive uma sorte imensa por ter auxiliado alunos maravilhosos. Interessados, divertidos, espertos e nada domesticados ou alienados. O que causa certas dualidades em meu entendimento sobre alguns estudos acerca do jovem na sala de aula e sua resistência para os estudos. Mas, enfim... Que venham os estudiosos com suas teorias e os professores com suas salas de aula.

Então, uma aluna (Giovanna Abreu) na despedida de fim de ano me presenteou com o HQ Clube dos 27: Amy Winehouse. Não sou fã de HQ (quadrinhos para nós os antigos), mas o livro é interessante. Muito bem feito, com acabamento magnífico, desenhos bem delineados e cores maravilhosas.

O livro tem a proposta de compor os cantores do macabro clube dos 27. Que são artistas que bateram as botas aos 27 anos, e em sua maioria no auge da carreira. Entre eles temos: Brian Jones, Jimi Hendrix, a bárbaraaaaa Janis Joplin, Jim Morrison e o tal do Kurt Cobain.

Como a história da Amy e o próprio HQ contam, Amy Winehouse entrou para a lista dos astros da música que morreram aos 27 anos. Ela vestiu o paletó de madeira no dia 23 de julho de 2011. A publicação não tem seu foco nas tragédias ou nas bizarrices dos vícios da cantora, mas apresenta a vida, a carreira, a morte da última a entrar no "clube" de forma leve e artística. A carreira da cantora britânica foi marcada pelos problemas com álcool e drogas, anorexia, bulimia e suspeita de autoflagelo. Ou seja, era uma Santa. Santíssima Amy Winehouse. Não é um exemplo a ser seguido. E diferentemente do que a mídia apresenta o livro busca na verdade focar na carreira da cantora. É claro que além da belíssima voz, que era presente e toda balada e algumas rádios, também teve sua vida pessoal escarafunchada pelos jornais de fofoca. O interessante é que além de apresentar parte da carreira e da derrocada até sua morte, busca descrever o romance com aquele cara (o namorado tranqueira) – não o conheço, nem sei quem ele é, nem faço questão de saber – mas a Amy era mesmo apaixonada por ele. Ao menos é o que o livro revela. E propõe levar em conta que foi o propiciador de tudo o que lhe aconteceu de ruim.

Os textos são de Cristophe Boffette e de Patrick Eudeline, as ilustrações de Javi Fernandez, as paletas de cores, que são muito boas foram elaboradas por Luca Merli. A tradução brasileira foi de Diego de Kerchove. Que venhamos e convenhamos, foi muito bem feita. Não fugiu das gírias londrinas e ao mesmo tempo não caiu nos cacoetes de traduções que vemos por aí.

Como diz a página da Editora Conrad, a biografia em quadrinhos é o primeiro volume da coleção "O Clube dos 27". Terá também Jimi Hendrix, a “magnifiquissíma” da Janis Joplin, Jim Morrison, Brian Jones e o tal do Kurt Cobain.

Ou seja, minha aluna me arranjou um problema. Agora quero ter todos.
Recomendo. Um livro leve, bacana, bem feito, e você pode ler em trinta minutos. Não quer ler, veja as figuras!

Eu sou Assim.
Assim que sou.

sábado, fevereiro 01, 2014

A biblioteca mágica de Bibbi Bokken


A biblioteca mágica de Bibbi Bokken
Autor(es): Jostein Gaarder e Klaus Hagerup
Da: Cia. das Letras, 2003 – 11º reimpressão
Tradução: Sonali Bertuol

Falou que é um livro em primeira pessoa, já gamei. Disse que é contato por crianças – é para mim. Afirmou que o autor é Jostein Gaarder, começo a babar. Sou apaixonado por sua escrita leve, filosófica com toque de magia e muuuuuito envolvente.

Tenho alguns trabalhos do autor, entre eles o maior livro da minha vida. A obra que me libertou, que foi a válvula motriz para que a paixão por livros crescesse mais em mim – “O dia do Curinga”. Um livro báaaaaaarbaro!!!

Então para esta incursão de “O leitor voraz” trago da minha mirrada biblioteca “A biblioteca mágica de Bibbi Bokken”. Em parceria com o Jostein está outro autor de livros infantis, lá da Noruega, Klaus Hagerup. A tradução é da Sonali Bertuol.

Critica: Venhamos e convenhamos; Cia. da letras é uma boa editora, com profissionais gabaritados e isso é o que faz com que a Cia. tenha o nepotismo editorial que possui. Ninguém é bobo, né minha gente! Ela domina muita coisa, e por isso lhe dá o direito de fazer o que quer com a obra? NÃO. Então porque cargas d’água ela optou em traduzir a obra do Alemão e não do Norueguês (língua nativa dos autores) como em outros livros do autor. Quem me garante que aos alemães respeitaram a obra? Enfim, é isso.

A tradução é boa, com uma fluidez que respeitou o tom infantil que a obra possui. Isso porque os narradores são duas crianças. É assim – um livro epistolar, como se fosse um livro de correspondências, em que os personagens Berit e Nils Boyum, dois primos, que depois de passar as férias juntos, decidem comprar um livro de cartas para se comunicar, onde escrevem o que sentem e fazem. No meio disso surge Bibbi Bokken, uma obcecada por livros. Que começa a intrigar os dois e faz um jogo de espião com eles. Ela os segue querendo o livro de cartas, e eles percebem que estão correndo perigo. Passam então a investigar, e acabam descobrindo uma biblioteca mágica, e muitas outras coisas.

A linguagem é arroz com feijão de tão básica e o final de uma banalidade pão com manteiga. Um livro ótimo, envolvente, que toda criança deveria ler. Recheado de inocência, coisa rara nos dias atuais, e com o imaginário infantil explosivo. Recomendo.

Enfim...
Eu sou assim.

Assim que sou!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...