quarta-feira, dezembro 09, 2015

MINHA EXPRESSÃO DE FÉ



O saudoso poeta Pernambucano Solano Trindade escreveu em seu poema “Velho Atabaque” os iniciais versos:

"Velho atabaque, quantas coisas você falou para mim, quantos poemas você anunciou, quantas poesias você me inspirou".

Não é de estranhar que o mesmo atabaque que ecoou em Solano Trindade também tenha ecoado em mim. Este soar, chamado, inspiração – ou o que desejar chamar é na verdade um sentimento que povoa todo o povo negro e mestiço. Este sentimento chama-se fé.

A fé de Salomão proporcionou-lhe uma inspiração que o fez escrever belíssimos Salmos, que desde os primórdios do Cristianismo são propagados como representação explicita da fé. “Mãe, Pai & Lógunède” também é minha expressão explicita de Fé. Entretanto o enraizamento do preconceito ainda não permite que seja visto como tal.

Com uma delicadeza, e ao mesmo tempo uma brutalidade que há em mim; descrevo o encontro com os orixás, com carinho e dedicação. Para que assim seja suave este abraço.

O ponto de partida para esta independente obra poética é o orixá Méta-Metá – Lógunède. Meu Orixá. Patrono de minha fé. Sem sombra de dúvida Lógunède é depois do orixá Bará o que carrega consigo mais preconceitos e falta de conhecimento por parte dos pesquisadores, e também dos adeptos das religiões de matriz africana. Um orixá iorubano, filho de outros dois grandes cultuados Orixás (Oxum e Oxóssi). Ele é estritamente a metade de cada um deles. E tem como seus domínios a terra e a água. Lógunède é único.

Orixá Méta-Metá, congrega três energias: de Oxum, de Oxóssi e dele mesmo. Seu animal símbolo é o Pavão. Ave majestosa que encante e assombra pela beleza. Assim como ele.


Mãe, Pai & Lógunède, uma coletânea de poesias inspirado nos orixás Oxum, Oxóssi e Lógunède. Escritos na liberdade do tempo. Entre 2010 até 2015. Mergulhei nas profundezas de mim, e ouvi o que eu mesmo me dizia. 
Que Logun é tudo em minha vida!

Para este trabalho contei com o incentivo da Pesquisadora, Mulher, Militante Negra e Madrinha deste projeto, Rosália Diogo. Que brilhantemente me traduziu (introdução) em palavras tão fraternas e carinhosas que me senti o próprio príncipe Lógunède. 


Site da publicação da obra


Fotos de divulgação - Grupo Bantos do Baú.  

segunda-feira, novembro 23, 2015

DISCURSO - Ao saltar dos olhos: Maracatu




Discurso em apoio ao Grupo Maracatu Estrela da Serra de Diamantina 
                                                                                                                de Minas Gerais.

Seguramente são abomináveis e de todo rejeitáveis os atentados sofridos pelo Grupo Maracatu Estrela da Serra, da cidade de Diamantina em Minas Gerais. Tais fatos nefastos não caem do céu ou emergem do inferno. Possuem uma pré-história de raiva, humilhação a que a cultura Negra tem sofrido por longos séculos.

Mas o mais tangível de tal ato de preconceito, deliberativamente declarado; é o medo. O medo da resistência, da força e da perpetuidade que a cultura negra, mesmo diante da opressão, tem se apresentado.

Aqui, no mercado velho. Ponto alto do turismo de Diamantina. Onde no tenebroso passado eram vendidas mulheres, homens e crianças. Nossos ancestrais. Mercadorias do ódio. Mas, no hoje, em ensaios que não ultrapassam pequenas horas, congregam-se homens, mulheres e crianças. Produtos do amor. A energia vital da existência humana, o pilão fundamental da comunidade e resistência NEGRA – a comunhão.

Sim, é o Maracatu Estrela da Serra de Diamantina é um grupo de resistência. E o incomodo que acomete aqueles que não compreendem a importância do Maracatu como patrimônio cultural, humano, e musical brasileiro – é o gostoso som dos tambores, dos cantos, o remelexo do corpo. Estes que a todo instante relembram ao saltar dos olhos do que verdadeiramente se forma o povo brasileiro.

Senhores que clamam pela ordem pública, que arremessam rojões, e invocam o poder opressor do Estado contra esta manifestação cultural pacifica:

Porque a representação da cultura Afro-brasileira os agride tanto? Porque o som, as danças, a alegria e felicidade – mesmo diante da medonha dor que proporcionam – causam tanta repulsa? Porque do preconceito?

Na enorme ciranda da democracia também queremos dançar. Também movimentamos o capital (se somente o dinheiro lhes importa). Também somos produto diante do mercado do Turismo. Entretanto, acima dele somos negras, negros, índios e mestiços demonstrando que não importa o quando nossa cultura lhes ofende. 
Seres eternamente Maracatu Estrela da Serra.

segunda-feira, novembro 09, 2015

DISCURSO - Uma força de guerra


Discurso proferido no encerramento do CONGEafro, promovido pela UFPI.
II Congresso sobre Gênero, Educação e Afrodescendência – roda de GRIÔ.



Existem em nós brasileiros, poços de medos. Que se abrem em paralelos como um abismo profundo e nos impede de ver a verdade. Mas raramente surgem de dentro deles, vozes. Ferozes vozes, que ecoam como um grito guerreiro. Como o sonoro, firme e dominador Ilá de um orixá em guerra. Como o berro de um pajé em luta. É o sonar da igualdade. É o ecoar da cor tinindo no espaço. Como uma gigantesca bolha pronta a explodir. Esses medos são as corres: Terracota e Preta. Que se espalharam pela terra de Vera Cruz, tingindo com graça e nova raça homens e mulheres. Moldando corpos ao quente de seu rebolado.

A força de seu sangue NEGRO, da sua seiva de vida ÍNDIO. Produziram o que de mais belo a terra viu. A miscigenação. E esfregou na cara do ódio imposto, o quanto são fortes e resistentes. Mas agora chegou o tempo. O tempo de destruir com o laço do preconceito, que não nos pertence. Todos os matizes de cores humanas estão na eterna roda da vida.  Somos uma única família. Uma única aldeia. Somos a globalização. Somos brasileiros.

Não deixemos que o passado opressor e desigual permaneça lambuzando de sujeita corrupta a nossa força.

Levantem-se mulheres. A terra foi criada por um ventre. Olocum – ayabá suprema das águas. Sem ela nada se faria. Fomos paridos e não surgidos do vazio de um buraco negro. Fomos feitos pelo mais suave toque, o mais firme envolver. Fomos feitos pela água do útero. E não há nada mais poderoso do que deter o poder de compartilhar. Sangue e carne. Esse poder é exclusivamente de vocês mulheres.

Sou grato, por em algum momento alguém pensou na Lei 10.639. Sou mais grato porque alguém idealizou ver negros, índios e mestiços dentro da Universidade. E é graças a estas pessoas, que encararam a horrenda sombra do passado, que estou aqui. Mas, não se enganem. Não é fácil! As amarras opressoras estão sentadas confortavelmente sobre as cadeiras acadêmicas. Impedindo com uma mão de palmatória silenciosa. Escolhendo, pontualmente, o que deve ou não ser dito. O que precisa ou não ser aprofundado pelas ideias. E quase sempre não corroboram ao pensar a negritude.

Mas eis que surgimos. Em momentos como este, para levantar nossas vozes do fundo da razão. Misturando ciência e gente na construção do pensar. Parabéns aos organizadores do evento. Sinto-me mais do que honrado, me sinto agraciado e tocado pelas fortes e potentes mãos de um orixá.
Obrigado Congeafro. 

segunda-feira, outubro 19, 2015

DISCURSO - A centelha da coragem.



Discurso para o Canjerê promovido pelo Casarão das Artes de Belo Horizonte na cidade histórica de Diamantina – “Canjerê Chica da Silva”. 
Festival de Arte Negra 2015.

A centelha da coragem

Existe algo que fica além do plano das ideias. Algo que nem mesmo Platão poderia imaginar. Nenhum sentido da razão será páreo para este algo. Um monstro terrível que nos consome, devora, lambe sem piedade. E sorri. Um sorriso tão doce que envolve, mas dilacera. E o quanto mais longe ele está, mais babamos. De bocas abertas como um sedento viajante do deserto. Este algo são os contos. Lendas. Mitos. E dentro deles mora o diamante mais precioso que a terra Brasil já viu. Que milho verde pariu. Tijuco transformou em mulher. E diamantina em uma pedra preciosa enigmática. Essa é Chica da Silva.
Mas mitos, lendas e contos são alimentados, difundidos e espalhados por corajosos. E nós somos a centelha desta coragem.  Hoje, estes mitos ganham veracidade em propagar-se não na costumeira forma do preconceito. Da dilacerante mentira que joga Chica em um turbilhão de inverdades afim de novamente, subjugá-la e ao povo negro.
Despimos a negra Chica dos diamantes das Gerais, e a olhamos nos olhos da história. De forma corajosa como tem feito o Canjerê em sua trajetória. Em sua resistência abraçando gentes e mitos, na busca por respeito. Por uma dignidade, por um reconhecimento e uma identidade tão nossa. Ser negro, ser mestiço – ser brasileiro.
Como uma voz que ecoa de dentro do túnel do passado, mas não vestida das lamúrias opressoras, e sim da coragem no tempo presente. Armando-se da ciência e da cultura popular. Revelando aos olhos inocentes do preconceito – e porque não do racismo – que o povo negro ainda existe, e esta mais forte.
Obrigado ao Casarão das Artes por proporcionar este momento à cidade de Diamantina. Obrigado, por ser um norte para pesquisadoras e pesquisadores da temática Afro e Afro-brasileira. Hoje estamos vivenciando um encontro, que une presente e outrora. Aqui neste espaço, não sagrado. E algumas vezes, entre janelas cerradas por rendadas cortinas, vilipendiado por uma mesquinha ideologia colonialista que persiste em nos perseguir. Unem-se dois “C’s”. Chica e Canjerê. Acendendo a chama que ecoa por todo o Brasil, e carrega consigo o cheiro agridoce do pão de queijo, moldado por negras mãos da coragem.

quarta-feira, julho 29, 2015

DISCURSO - Minhas mulheres e a água.


Discurso para o lançamento de “A voz de Tina” 
Festival Inverno Cultural em São João Del Rei.

Minhas mulheres e a água.

A água é como o sonho. Ambos não possuem fronteiras, mas podem ser represados – Limitados. Nada mais insalubre do que um sonho não realizado ou uma água não límpida – limitações humanas tão presentes quanto à necessidade da água diária. E as limitações foram um dos meus primeiros professores. Antes de firmar as pernas e ganhar a confiança de caminhar só, tive de compreender a importância da água em minha vida. Primeiro na infante fase amniótica e depois o banho na banheira. E das águas vi emergir minha fé. Surgida dos mitos, contos e cantares despregados por minha mãe. Então a deusa das águas povoou minha infância, e me permitiu brincar sem medo em rios, cachoeiras e mar.
Nem sempre o medo me veio da terra seca, mas das águas bravias do rompante. A conhecida transparência que me saciava a sede ou me refrescava a pele personificava-se na figura materna e me corrigia os modos. Vez por outra, era a avó que me varria a tranquilidade da epiderme com o chicotear da espada de São Jorge por ter quebrado a vidraça.
E não muito distante do hoje, no encantamento da adolescência a água surgiu como sereia. Envolvendo-me em saliva e líquidos nunca provados, que me encantou o sexo e me fez homem.
Há um antigo engano de que estou seguro neste ambiente, que conheço e me reconheço. Na água que nunca seca. Na deusa que nunca me abandona. Na mulher que sempre me dará a vida. Assim a água foi a que mais me fez aprender. Minha mãe se foi. Minha avó também se foi. E minha cidade foi assolada pela seca. A velha São Paulo que nunca para; parou por falta d’água. Só Oxum permaneceu!
Pude perceber no desenvolver do meu intelecto, na força da fé, que a água fenece, mas não desaparece. Como desapareceu a vida de Clementina de Jesus. Mas sua voz... Essa flui como vapores permitindo que o cantar negro calado, ainda ganhe som. Como um sonar que mesmo distante de seu epicentro ainda ecoa vibrando em ondas infinitas. Como as longas camadas energéticas de Oxum que ecoam no universo permitindo que o amor reine mesmo na catastrófica seca.
Quando menino. Ouvindo o cantar do Ijexá por minha mãe; cria que se a água acabasse acabaria também a deusa Oxum. Um limitador entendimento da mimesis aristotélica ocidental. Que não compreende que os orixás não residem na natureza, mas é a natureza uma extensão da grandiosidade que são eles. Assim como nós somos também uma diminuta ponta desta extensão, e nossos falares, cantares e artes são aproximações deste poder.

Clementina estendeu sua limitação de ser carne, como a água que limitamos ser o reino e a representação de Oxum. Entretanto lançando sua voz ao infinito toca no finito que reside em nós, à seiva a qual corre oxum. Nosso sangue, no amor, nossa vida, na fé. 

sábado, maio 23, 2015

COINCIDÊNCIA



Existem várias artes, várias formas de fazer arte e se fazer presente no mundo. As representações de corpo, de enfeite, de como se quer ver – é arte – a pura e límpida arte.
Sequestrada da realidade fantasiosa de São Gonçalo do Rio das Pedras /MG, no Festival de Verão esta foto.

Cercada de coincidência.

Estava eu no festival clicando momentos e nos meus olhos essa linda moça e seu turbante reinaram. Ficou no registro de minha máquina fotográfica sua imagem, permaneceu em minha memória sua luz. Tempos depois ao virar uma esquina nas ruas da Cidade de Diamantina – também em Minas Gerais – encontro com ela. E para maior alegria somos amigos de pessoas em comum.

Foi pura coincidência.

Compartilho com vocês minha versão da CAROL TAGLIALEGNA:


Afinal,
Eu sou assim.

Assim que sou!

A Imagem que nos ilustra é de Sonia Flynn em seu "Por do Sol na floresta".
Tinta a óleo sem tela.

quarta-feira, abril 22, 2015

TUM... TUMMMM


Continuo nessa continuação continuada de retratar em palavras as imagens, sons, ritmos, cores e vida que vi nas férias. Trago para esse meu banquete os tambores. Tom da resistência, a forma que persiste mesmo quando o tempo lhe descasca o couro.

Quem nunca sentiu o peito sacudido pelo som de um tambor? 
Qual brasileira (o) não se controlou para sair dançando quando o TUM...TUM...ressoa?

Por isso, não poderia deixar de registrar aqui, minha gratidão ao tambor.  

A imagem que nos ilustra é um xilogravura da artista Rosinha – Maracatu, 2013. Do projeto Apoema Português, da Editora do Brasil. 

Recebam:

Afinal,
Eu sou assim.

Assim que sou!

terça-feira, março 24, 2015

SETE


Estava na Cidade Alta em Porto Seguro/Bahia quando passando por entre os caminhos serpenteados de cercas e folhagens algo me assoviou. Não foi um assovio literalmente, mas uma presença. Algo conhecido, e amigável.

Nada surgiu acompanhando o som que me chamava. Apenas um poste personificou a poesia daquele momento. E um nome, um número, uma entidade se fez surgir no ecoar dos meus lábios: SETE!

Assim, deixo aqui meu registro. Um poema para SETE. Acho que nunca escrevi para você, não é "meu velho"? Malandro confiável – que dicotomia!
Espero que apreciem:


Afinal,
Eu sou assim.

Assim que sou!

terça-feira, março 17, 2015

SEM COMENTÁRIOS.



Foi literalmente um canto que me atraiu para o alto do poste. E lá estava o canário. Saudando minha passagem. Como que anunciando meu caminhar. Sem comentários adicionais.

Permito que sintam comigo, o frescor do som de um canário cantando segredos das matas virgens.

Esbaldem-se com:
  

Afinal,

Eu sou assim.

Assim que sou!

segunda-feira, março 09, 2015

POR ONDE ENTROU CABRAL?



Quando olho para a foto do poema SPLASH e PAH... não consigo pensar em outra coisa a não ser splash e pah... Uma tarde de verão na praia de Cabrália. Litoral baiano próximo de Porto Seguro. O sol deslizando pelo infinito. As águas do mar escurecendo seu azul profundo. E, trepados a um coqueiro entre saltos e piruetas – a pureza das crianças.   

Das fotos retiradas das férias de fim do ano de 2014, sem sombra de dúvidas, é a minha favorita. Para tanto, nesta conjectura, nela pousa a responsabilidade de inspirar-me para o terceiro poema da coletânea FÉRIAS.

O quadro que ilustra este post é de Oscar Pereira da Silva – “desembarque de Cabral em Porto seguro” do Acervo Museu Paulista/USP – SP.

Espero que se deleitem em:
FÉRIAS III - SPLASH e PAH...

Afinal,
Eu sou assim.
Assim que sou!

segunda-feira, março 02, 2015

TODO ARTISTA É UM PRISIONEIRO.


Nesta continuação para coletânea FÉRIAS, apresento minha visão para um artista de Diamantina-MG, Marcial Ávila. A foto foi tirada em São Gonçalo do Rio das Pedras durante o evento Férias de Verão.
Todo artista é um prisioneiro e um libertador dos outros e de si mesmo. Preso por sua arte, sua visão e forma de expressar-se ao mundo. Preso pelo olhar do outro e a forma de receptividade de sua arte. Libertador, pois a arte liberta.

No mês de Abril, especificamente em 25/04/2015 será lançado em Diamantina meu livro RELACIONAMENTO COM UMA GATA.
Uma levada de contos-crônicas sobre minha relação com uma gata (animal mesmo).


Afinal, tudo isso de desejar escrever quando nada conspira a favor é por que...
Eu sou assim.
Assim que sou!

A ilustração desta postagem é um dos quadros de Marcial Ávila:

Querubim
Ficha Técnica: Óleo sobre tela
Dimensão: 0,60 x 0,30 m
Data: 2004

quarta-feira, fevereiro 25, 2015

TENTATIVA DE RETORNO


Para quem acompanha este blog sabe que estou em terras Mineiras. Diamantina para ser mais exato!
Como podem ter percebido esta pagina ficou um tanto quanto abandonada.
Por isso, resolvo começar uma pequena coletânea de poemas para adentrar 2015. Se possível tentarei continuar com a vida de um assistente de legista. Quem sabe dar uma ressuscitada em Maurindo, e ou, acabar de vez com este personagem que povoa essa página web.
Pois bem, seres humanos. Fim de 2014 resolvi sair pelo Brasil. Registrei algumas fotos, e por meio delas criei esta coletânea intitulada  - FÉRIAS.
São incursões e considerações de uma vivência afrodescendente. Um olhar límpido para um, mas esgarçado pela exclusão e descriminação social.
Agora entre Março e Abril lanço um livro produzido por minha página de Facebook. Lanço informações quando pronto.
Então...
Deixo vocês com esta nova coletânea de poemas. Abrindo os trabalhos com o clássico de férias – PRAIA. Sou ligado ao mar como as sereias do infinito, afinal sou filho de Yabá.


Eu sou assim.
Assim que sou!



sábado, janeiro 24, 2015

PARABÉNS SÃO PAULO POR SEUS 461 ANOS!


Como sabem estou em terras mineiras. Por meus estudos e pesquisas fui impelido por tempo a dar uma pausa neste blogger. Entretanto ainda paira sobre o meu ser um espírito de São Paulo.
Maurindo? Não sei o que dará a vida do assistente de legista. Talvez o traga para Minas Gerais e aqui desenvolva sua vida ou termine de vez com este personagem, que me assombra por alguns anos.
O que me leva a ressuscitar “O paulistano” é o aniversário de Sampa.  Como todo o ano rendo a ela um presente – aqui vai o deste ano...


DEPOIS DA ESTAIADA
Sou Zona sul, depois da Estaiada
Moldado entre ferro e martelada
Saí, voltei, e novamente saí
Mas retorno sempre manso de onde vim.

Brilha no refugo do dinheiro
Capital do Capital,
Ostentação de alcoviteiro.

Na metrópole da bandidagem
Bandido é menino,
Mané malandro é favelado,
E ladrão usa Brook’s Brothers.

Transformou minha mente entre becos
Sou seu, gigante periferia
Bum... Bum... de massa sendo batida.
Tom... Tom... de nova música sendo ouvida.

Uma entoada que só você pode compor
Amor e ódio que apenas você sabe unir
Um viver que só seu povo pode sentir
Serei sempre Zona sul, depois da Estaiada.


PARABÉNS SÃO PAULO POR SEUS 461 ANOS!
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